Cara a Cara

29/01/2010

Poderia ser roteiro de cinema. O jogador já dito como em fim de carreira recupera o seu bom futebol e vira maestro de uma equipe desacreditada rumo ao título do campeonato.

Essa história é real. A equipe em questão é o Milan, que escalou a tabela do italianão 09/10, e o maestro citado é Ronaldinho Gaúcho que, como a fênix, ressurgiu das cinzas para virar possivelmente craque do campeonato.

 A equipe comandada pelo surpreendente Leonardo contou ainda com a boa fase de Borriello e a estabilidade de Nesta e Thiago Silva para subir na tabela apresentando um bom futebol.

Mas este roteiro baseado em fatos reais provavelmente não terá um final feliz. Pois no meio do caminho tinha uma Inter.

A tetracampeã, que além de ter o melhor elenco do país (reforçado ainda mais com a chegada de Pandev) também possui um maestro igualmente candidato à craque do campeonato: Sneijder, confirmou-se favoritíssima ao derrotar o rival no jogo do último domingo, chamado por alguns de “final antecipada”, e abrir sobre ele nove pontos de vantagem.

Porém se milanistas e interistas vão bem, os torcedores da vecchia signora sofrem sem parar.

Eliminada da Liga dos Campeões, da Copa da Itália e praticamente sem chances de titulo no campeonato italiano a Juve passa por dificulades. Atualmente ocupando a sexta posição da tabela, a culpa pela má fase do time já caiu sobre o novo e visivelmente inexperiente técnico Ciro Ferrara e sobre alguns jogadores como Felipe Melo (eleito o pior jogador do campeonato). Diego, a grande promessa da temporada, sofreu com as más atuações da equipe e foi perdendo seu espaço como destaque. A situação agravou-se com a derrota de virada em casa para a Roma, concorrente direta na disputa por vaga na UCL.

Essa Roma de Totti, De Rossi e recentemente Luca Toni é a prova de que em um campeonato de baixo nivel técnico pode-se jogar o óbvio e acabar entre as primeiras posições, garantindo até vaga direta para a Liga dos Campeões na terceira colocação.

Apesar de Napoli e Palermo aparecerem respectivamente em quarto e quinto lugares na tabela não podemos achar surpreendente um campeonato italiano em que Inter e Milan brigam pelo scudetto (ou pelo menos brigavam até domingo) e Roma e Juventus disputam vaga na UCL.

Resta agora saber o novo “cara” do italianão: o que levará seu time ao título na temporada de estreia ou o responsável pelo risorgimento milanista.

Os "caras" do italianão 09/10

Felipe Blumen

Curtas

12/01/2010

Limpa

A camisa do Racing nesta temporada não terá patrocínio graças a uma das mais interessantes estratégias de marketing que eu vi no futebol nos últimos tempos: o Banco Hipotecario Nacional, novo patrocionador, decidiu que não irá estampar seu logo no manto do clube de Avellaneda. O slogan da campanha diz tudo: “Le devolvemos la camiseta al hincha”. Com isso, o patrocinador consegue uma maior aproximação dos torcedores que passam a ver o acordo como algo benéfico para o clube. Uma aula para os clubes brasileiros que estão se tornando especialistas em transformarem seus uniformes em outdoors ambulantes. O pior é que o uniforme não ficou muito bonito, afinal, a nova fornecedora de material do Racing é a Olympikus, que consegue enfeiar qualquer uniforme que seja; se bem que, ao olhar a foto e pensar que no meio da tradicional camisa do clube argentino poderia ter um enorme “STB – semp toshiba” você acaba relevando.
Para entender melhor o acordo entre Racing e o banco, visite: http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=15229
Para mais notícias sobre uniformes de clubes vale a pena ir ao blog Minhas Camisas

Copinha

Grandes paulistanos com 100% de aproveitamento, decepção gaúcha, surpresas e muita, muita chuva. Essas são as palavras-chave para resumir a Copa São Paulo de futebol júnior de 2010. O São Paulo não sofreu nem um gol sequer e ainda teve como destaque o atacante Lucas Gaúcho, autor de 5 gols; os tricolores devem ficar espertos porém, com uma campanha parecida no ano passado não conseguiram alcançar a grande final, sendo eliminados pelo Atlético-PR nas semis. O Corinthians também ganhou seus 3 jogos mas demonstrou não ter uma defesa tão segura, destaque para a dupla de meias Jádson e William e para o já conhecido lateral-esquerdo Dodô. O Palmeiras, parece, finalmente entrou na Copinha com um time digno de levar o título do principal torneio de juniores para o Palestra Itália, o time é muito forte, com destaque para as trocas de lado entre os laterais Luís Filpe e Gabriel e para o habilidoso meia Gilsinho.

Inter e Grêmio chegaram como grandes favoritos pela tradição que possuem em revelar grandes jogadores mas ficaram pela primeira fase, seus algozes acabaram por se mostrarem as grandes surpresas do torneio, Inter de Limeira e Confiança, respectivamente. Vale ainda ressaltar o time de Roque Júnior, o Primeira Camisa de São José dos Campos, que mesmo com os temporais e com o gramado sintético de São Bernardo encharcado, conseguiu ficar em primeiro do grupo que tinha Fluminense e os donos da casa. Para uma cobertura completa da Copa São Paulo acesse: olheiros.net.

Transferências

Já farto das especulações? Bem, elas vão diminuíndo com a chegada dos modorrentos estaduais. O momento agora é de avaliação das contratações já feitas pelas equipes; os programas esportivos vespertinos precisam encher aquelas duas horas com alguma coisa. Impressiona, no entanto, como o torcedor se deixa enganar pela quantidade de aquisições feitas pela sua equipe: em recente enquete, o site da ESPN Brasil perguntou qual clube havia contratado melhor para esta temporada. O Vasco vencia (até onde eu vi) disparado. Mesmo achando que analisar contratação antes da própria ir a campo algo completamente sem sentido, tal fato vale uma análise. O pacotão cruzmaltino de 11 jogadores pode ser enganoso, Caíque e Rafael Coelho fizeram uma boa segundona por seus clubes (Guarani e Figueirense) mas são apostas, Dodô ficou parado mais de um ano e Gustavo não conseguiu se firmar no Cruzeiro por causa de lesões, por fim, pergunte a qualquer palmeirense se eles acham que Élder Granja, Jumar e Márcio Careca servem para jogar em um time grande? A resposta vai ser negativa e provavelmente seguida por alguns xingamentos. Léo Gago e Rafael Carioca, em contrapartida, são os mais interessantes investimentos vascaínos, podendo formar uma bela dupla de volantes. O Palmeiras, ao contrário do Vasco, só fez 2 contratações e vem sendo relegado pelos analistas, talvez estes não percebam que os maiores reforços do clube já estavam lá, manter Pierre, Cleiton Xavier e Diego Souza é o que me faz acreditar que o sucesso da equipe de Muricy possa vir em 2010. Todavia, é bom não cair na conversa dos dirigentes palestrinos que têm tratado as contratações feitas até agora como “cirúrgicas”; Léo é um bom zagueiro mas não vivia boa fase no Grêmio, se Muricy se decidir por um esquema com 2 zagueiros talvez termine no banco, Márcio Araújo é um jogador com características que o Palmeiras ainda não possuía em seu plantel mas isso não quer dizer que logo consiguirá um lugar cativo no meio-campo alviverde. O Palmeiras precisa de 2 atacantes urgentemente, as mãos de um bom cirurgião seriam benvindas agora. Para estar sempre atualizado com as últimas transferências é bom dar uma olhada no site Futebol 365 que, apesar de português, possui todas as transefrências ocorridas no Brasil.

Os amigos de Dunga

O Blog do Mauro Cézar Pereira traz hoje duas discussões muito relevantes: as contantes convocações do reserva da Roma, Júlio Baptista em detrimento da do titular e destaque do Milan, Ronaldinho e a convocação do reserva do Manchester City, Robinho. Tudo bem que o ex-sãopaulino já ajudou muito Dunga, principalmente na conquista da Copa América, mas Júlio Baptista vive hoje uma fase medíocre, na reserva de uma equipe que está bem longe de lutar pelo título do campeonato italiano. Ronaldinho, contrariamente, é o baluarte da campanha rossoneri para fazer com que o Calcio não fique com a rival Inter pela quinta vez seguida. Mauro demonstra o que foi dito acima com números bastante esclarecedores. Números que não são necessários para questionar a titularidade absoluta do pequeno Róbson na seleção de Dunga, é só assistir aos jogos dos Citizens para ver ele lá, sentadinho no banco do frio estádio de Manchester enquanto a torcida aplaude o esforçado Bellamy. O negócio de Dunga é mesmo a gratidão. Para o bem da Seleção na Copa tomara que a recíproca seja verdadeira.

Steven Pienaar

Olha o que ele fez.

Rodrigo Giordano

A negação da frase que serve como título para este post foi muito utilizada neste ano que vai se despedindo; jogadores, técnicos e especialistas não sabendo como explicar resultados improvavéis, apelavam para a dita cuja. Compreensível, já que o campeonato brasileiro de 2009 foi o campeonato do inexplicável. Foram muitos os que desistiram de encontrar razões (com bom senso, é claro, afinal, foram inúmeras as teorias da conspiração) para a queda do Palmeiras, a recuperação do Fluminense, a ascensão do Flamengo, entre outros. Sendo assim, “o futebol não é uma ciência exata” foi ouvido a cada zebra, talvez por considerarem que “o futebol é uma caixinha de surpresas” seria muito clichê.

Abaixo listo alguns “postulados do Brasileirão”, fatores que desde que o campeonato passou a ser em pontos corridos são considerados essenciais para o sucesso de uma equipe, que foram transformados pelo certame deste ano.

O planejamento, o projeto

Quando V(W)anderlei(y) Luxemburgo conquistou o primeiro campeonato brasileiro de pontos corridos com o Cruzeiro em 2003, não se cansou de repetir que o resultado viera graças ao projeto do time mineiro; ele fez o mesmo com o Santos campeão de 2004 e, até hoje, logo que assume um novo clube diz que aceitou a proposta baseada no projeto de tal equipe. Por muito tempo tido como o melhor técnico do Brasil pela maioria da imprensa, esta engoliu a história do atual treinador do Atlético-MG como um mandamento: “Só é campeão quem tem um planejamento e um projeto”. Mas o que seriam essas duas coisas? Aí encontramos mais uma variedade de lugares comuns regorgitados pela mídia esportiva tupiniquim: Estrutura (centro de treinamento adequado, centro de recuperação física de jogadores, psicólogos, diretores de futebol etc.), pré-temporada, manutenção de grande parte do elenco, e claro, também do técnico. Pois bem, o campeão Flamengo conseguiu trangredir todas essas afirmações; o clube possui um centro de treinamento precário, viveu intenso conflito político com a licença de seu presidente por motivos de saúde, fez inúmeras contratações ao longo do campeonato e mudou de treinador. Não obstante, o segundo e terceiro colocados, Inter e São Paulo, que se consideram os clubes mais ultra-mega-super modernos da face da Terra, também presenciaram mudanças de seus comandantes ao longo do certame. Ah, não poderíamos esquecer de ressaltar a campanha do rei do planejamento professor W(V)anderley(i) Luxemburgo, que depois de demitido do Palmeiras, passou o torneio inteiro prometendo levar o Santos à Libertadores e acabou num honroso 12º lugar. É o fim do planejamento como o conhecíamos.

Vencer os jogos em casa

“Fazer a lição de casa”, é isso que técnicos e jogadores não cansaram de repetir como indispensável para o sucesso de suas equipes. O Grêmio, então, foi o aluno perfeito: em 19 jogos, 14 vitórias e 5 empates. No entanto, não contava que fora de seus domínios tivesse uma campanha de rebaixado ao vencer apenas uma partida, empatar 5 e perder 13. E assim caiu mais um postulado do Brasileirão.

A regularidade

Os especialistas não têm dúvida, o campeonato de pontos corridos premia a regularidade. O caso é que esta edição do Brasileiro premiou a última regularidade; o Flamengo passou o campeonato inteiro no meio da tabela, após um série de 10 jogos sem derrota, a equipe carioca alcançou o grupo da frente mas só chegou à liderança na penúltima rodada. O Palmeiras foi a melhor equipe do campeoanto até a rodada 34, quando deixou a liderança após 20 jogos, ou seja, os maus resultados das últimas 10 partidas da equipe de Muricy Ramalho jogaram fora a regularidade que a equipe demonstrou nas outras 18. O inverso ocorreu com o Fluminense; portanto, não se trata tanto de ser regular ao longo do campeonato e sim ter uma boa sequência de vitórias no momento certo.

Com o que foi exposto acima, não pretendo desmerecer o campeoanto de pontos corridos nem a vitória flamenguista, mas apenas demonstrar que certos discursos devem ser mudados, pois as circunstâncias de determinado campeonato fazem com que seja decidido por diferentes razões. O campeonato de 2003 foi vencido pela equipe que tinha indiscutivelmente o melhor plantel da época, 6 anos depois não temos uma situação semelhante, portanto, é errôneo pensar que o que levou o Cruzeiro a ser campeão naquele ano é o mesmo que levou o Flamengo a ser campeão neste.

Terminado o campeonato, origina-se o momento de especulações e parte da imprensa não se cansa de criar suas verdades, a frase da moda agora é: “fulano tem tudo acertado com time X, só falta o time Y liberar”. SÓ?! As equipes também não mudam muito, é só dar uma olhada no noticiário e ver que o Corinthians continua achando que pode ganhar a Libertadores com grandes nomes, o São Paulo se considera tão bem estruturado que contrata jogadores fracos tecnicamente e mentalmente achando que pode consertá-los, o Inter insiste em posar de clube mais moderno do Brasil e contrata técnico estrangeiro, o Palmeiras diz que no ano que vem tudo vai ser diferente, o Grêmio faz força descomunal para manter um ídolo portenho. O futebol brasileiro tenta ser uma ciência exata.

Rodrigo Giordano

O título se refere ao Campeonato Brasileiro de 2009; o campeonato que só é interessante pra imprensa que quer vendê-lo e para quem não torce para nenhum time que está na disputa. Provavelmente flamenguistas ou são-paulinos terminarão com um sorriso no rosto, mas esse campeonato foi tosco.

No aspecto técnico nada de muito diferente dos últimos anos; jogos truncados, poucas jogadas bonitas e os locutores abusando do: “o jogo está fraco tecnicamente mas sobrando em emoção”. Você vai dizer que o campeonato está tendo um equilíbrio impressionante, com até 6 times chegando ao fim do certame pensando em título. Mas esse equilíbrio vem do péssimo nível técnico das 20 equipes, na qual um confronto entre o primeiro e o último colocado é uma grande incógnita; os confrontos diretos entre os que disputam a taça normalmente são jogos horríveis, afinal, ambos os times têm medo de perder.

Não obstante a técnica degradante que as equipes brasileiras vêm apresentando, este campeonato teve um componente a mais para torná-lo desagradável: a arbitragem. Mas você se engana se pensa que ela anda por aí sozinha aprontando das suas, conta com a importantíssima ajuda do STJD, que aproveita este momento final para colocar suas manguinhas de fora. Exemplifiquemos:

-Vágner Love leva uma suspensão de dois jogos por uma falta que foi punida com cartão vermelho pelo árbitro da partida, ou seja, não interessa o que o homem que comanda a peleja determina, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva pune como bem entende.

-Dagoberto, contra o Grêmio, faz uma falta do mesmo nível da de Vágner e é suspenso por três jogos; Jean, no mesmo jogo, com uma falta mais leve que a dos dois citados é punido da mesma maneira; já Borges, que agrediu o volante Túlio do time gaúcho também foi suspenso por 3 jogos.

-Alan, atacante do Fluminense, desferiu uma cabeçada em Armero, do Palmeiras, que abriu o supercílio do lateral colombiano durante o embate entre ambas equipes.  Alan não foi punido, um dos juízes alegou que ele havia sofrido muitas faltas durante o jogo, entende-se: “dente por dente, olho por olho”.

Mas são, realmente, os árbitros que tem se superado; a arbitragem brasileira virou terra de ninguém. Sérgio Corrêa, o presidente da comissão de arbitragem, não se pronuncia sobre nada, simplesmente afasta os juízes que se envolvem em lances polêmicos, e Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, está preocupado demais em leiloar amistosos da seleção e aumentar cada vez mais o caixa de uma confederação já riquíssima. Erros de arbitragem ocorreram em todas as edições do Brasileirão, isso é óbvio, mas neste eles têm se concentrado mais ao final do campeonato e influenciado muito na luta pelo título. Novamente, exemplifiquemos:

-Obina e Maurício, ambos do Palmeiras, trocam tapas e socos ao fim do primeiro tempo do jogo contra o Grêmio; ambos são devidamente expulsos por Héber Roberto Lopes (o mesmo que não quis deixar o time do Palestra Itália com dois a menos no clássico contra o Corinthians, ao dar apenas cartão amarelo a Danilo após carrinho criminoso em Jorge Hnerique).

- Hugo e André Dias, ambos do São Paulo, fizeram algo semelhante ao seus colegas palmeirenses; no jogo contra o Vitória, trocaram cabeçadas e tapas dentro da área. Leandro Pedro Vuaden (o que deixa o jogo correr) erroneamente só aplicou cartões amarelos aos dois.

Não é nem preciso citar os erros de Carlos Eugênio Simon (o que vai pra terceira Copa seguida), Elmo da Cunha e de tantos outros que erraram durante o campeonato inteiro. O que mais irrita é a falta de CRITÉRIO, cada um apita a sua maneira; um exercício simples mostra como a aplicação de diferentes critérios altera certos resultados:

-Se Vuaden tivesse apitado Grêmio x Palmeiras, somente Maurício teria sido expulso, pois já tinha amarelo (que aliás dificilmente o árbitro gaúcho teria dado). Se Héber tivesse apitado São Paulo x Vitória, Hugo e André Dias teriam sido expulsos logo no primeiro tempo do jogo que o tricolor paulista venceu por 2 a o. Se qualquer um dos vários árbitros brasileiros que veem falta em tudo tivesse apitado Grêmio x Palmeiras, teria dado pé alto de Maxi Lopez em lance que originou o gol do time gaúcho.

Não estou querendo dizer com esse texto que se certo time for campeão será de maneira injusta, pelo contrário. Só acho que muitas decisões poderiam ter dado rumos diferentes à disputa, e isso tudo por algo facilmente solucionável: o estabelecimento de um critério para toda arbitragem brasileira. Se for decidido que espirrar em campo é caso de cartão amarelo, que assim seja, desde que respeitado por todos. Porque a última coisa que um futebol tecnicamente nivelado por baixo precisa é uma arbitragem que sofra do mesmo problema. O melhor que fazemos agora é esperar pelo dia em que o campeonato seja equilibrado pelo excelente nível técnico dos competidores e ninguém nem saiba quais os nomes daqueles homens que andam pelo gramado com um uniforme diferente de todos os outros.

Rodrigo Giordano

“O Arsenal é o time mais legal de se ver jogar na atual temporada” disse Arnaldo Ribeiro durante o ‘Sportscenter’ na ESPN Brasil e dizem muitos outros que acompanham o campeonato inglês. Eu entendo, mas discordo. É absolutamente compreensível que se pense isso de um time que fez 36 gols em 11 jogos; resultados como 4 a 1 no Portsmouth, 6 a 2 no Blackburn, 3 a 0 no Tottenham servem para confirmar isso. Mas o principal é a técnica apresentada por seus jogadores de frente, Arshavin, Fábregas e Van Persie, ajudados por Eduardo, Nasri e Rosicky têm feito um campeonato extraordinário, com jogadas que explicam o que é o “futebol bonito”.

Mas lembre-se que eu discordo de que o melhor time para se assistir é o Arsenal, para mim é o Chelsea. Os Blues apresentam uma consistência e equilíbrio impressionantes; o time londrino é forte em todos os setores do campo. Não entenda, porém, que o Chelsea joga feio, que faz um gol e depois administra, não é isso que ocorre. Congratulações a Carlo Ancelotti, o treinador italiano transformou a equipe pragmática de Guus Hiddink em um time vencedor, que ataca sem expor, e uma das principais razões disso foi a contrução do meio-campo feita por Ancelotti. Quando técnico do Milan era tratado com uma certa má vontade pela imprensa brasileira, que o considerava retranqueiro; pois é esse mesmo homem que conseguiu fazer funcionar o trio Ballack, Lampard e Deco. O brasileiro naturalizado português foi um pedido de Luiz Felipe Scolari quando este chegou ao Chelsea e depois de alguns maus resultados o gaúcho considerou que não seria possível utilizar os três jogando juntos, Deco perdeu lugar e logo depois se machucou. Ancelotti logo colocou o ex-meia do Barcelona como titular e principal armador da equipe, que agora possui um meio-campo em forma de losango, com Essien na cabeça-de-área e Lampard e Ballack ajudando tanto na marcação quanto na contrução de jogadas, Deco fica mais a frente. Aliado a isso, a grande fase de Didier Drogba ajuda a explicar por que o Chelsea é o líder do campeonato inglês.

As jogadas vistas na maioria dos jogos do Arsenal são realmente dislumbrantes, mas a beleza do futebol não está só em lances bonitos. Futebol é eficiência, é todo um conjunto de fatores que faz uma equipe vencedora. E o Chelsea tem cara de equipe vencedora, pois ninguém consegue aliar uma defesa forte, um meio-campo talentoso e o melhor centroavante do mundo na atualidade de forma tão coesa quanto o time do sul de Londres. Isso fica explícito nos resultados do Arsenal até agora, as duas derrotas que os Gunners sofreram foram para os dois times de Manchester, exatamente os únicos adversários diretos pela briga do título que o time de Arsene Wenger enfrentou. Ou seja, o Arsenal não consegue ser o mesmo time diante de adversários mais fortes (mesmo que tenha merecido melhor sorte nos dois jogos citados, como dissemos aqui).

Dia 29 de novembro tem início a 14ª rodada do Inglesão 2009/10, Chelsea e Arsenal irão se enfrentar e tudo que foi dito aqui será ratificado, ou não. Não seria essa a verdadeira beleza do futebol?

Rodrigo Giordano

Foram duas chances preciosas para o líder Palmeiras disparar, jogos contra Avaí e Náutico. Pela lógica, pelo menos 4 pontos o líder conquistaria. Porém, à base de muito suor, o time buscou o empate contra o Avaí para marcar um pontinho. Contra o Náutico a equipe passou longe de marcar pontos, foi um 3 a 0 categórico para o Timbu, que respira no campeonato com a força de seu estádio.

Hoje, faltando 9 rodadas para o término do Brasileirão, o Palmeiras poderia ter 10 pontos de vantagem para o segundo colocado e a única dúvida seria em que rodada a equipe paulista ergueria a taça. Os concorrentes têm colaborado para um título antecipado, São Paulo, Internacional, Atlético Mineiro e Goiás não conseguem encaixar uma seqüência de vitórias. O Tricolor teve uma brilhante ascensão no campeonato, mas pecou na hora de assumir a liderança.  O Internacional teve uma queda brusca no 2º turno que culminou com a queda do técnico Tite. A escolha do substituto foi contestável, Mário Sérgio tem um histórico recente muito ruim e seu nome não inspira confiança para uma reação do Colorado. Atlético Mineiro e Goiás não demonstraram, até agora, a regularidade necessária para a conquista do título.

Considerando que em 9 rodadas há 27 pontos em disputa, a vantagem de 5 pontos do Palmeiras não é muito significativa. Outro fator que anima São Paulo e Inter, principais perseguidores, é que o plantel palmeirense dá sinais de fraqueza e a dependência de Diego Souza, melhor jogador do campeonato brasileiro, é evidenciada pelos números: Em 4 jogos sem o meia o Palmeiras não conseguiu nenhuma vitória.

A próxima rodada pode ser decisiva, São Paulo e Palmeiras têm jogos complicados em casa contra Atlético Mineiro e Flamengo, respectivamente. Pela atual fase do rubro-negro, a tarefa do Verdão é um pouco mais indigesta. Mas se a vantagem chegar a 7 pontos, a 8 rodadas do fim,  a torcida palmeirense pode começar a contar os dias para comemorar o seu 5º título brasileiro. Porém, se cair para 3 a diferença entre os paulistas, o favoritismo pode pular o muro e a soberania são-paulina pode se manter.

Kim Paiva (colaborador)

Primeiramente gostaria de pedir desculpas aos nossos ávidos leitores pelo meu considerável tempo de ausência. Forças ocultas e um problema com a minha fonte (não a jornalística, a do computador) me impediram de ser mais ágil. Desculpas à parte, vamos ao que interessa: Faltam cerca 5 anos para a Copa do Mundo de 2014 ser realizada no Brasil e uma polêmica já destaca entra as que surgiram e que ainda surgirão: o fato da cidade de São Paulo poder não sediar a abertura da Copa do Mundo. Com o estádio do Morumbi sendo posto em xeque pelo “alto escalão” da Fifa, há ainda a possibilidade da construção de um novo estádio na cidade de São Paulo, capaz de atender a todos os caprichos da entidade máxima do futebol.

Não há como discordar que o estádio do Morumbi possui sérios problemas estruturais, além de problemas de acesso em seu entorno. Entretanto, não se pode negar também que o estádio do São Paulo Futebol Clube já existe, terá metrô ao lado e sua reforma não exigirá o uso de recursos público. A mera menção à construção de um imponente e custoso estádio na cidade de São Paulo é por si só alarmante. Contudo, há muitos conflitos políticos e interesses escusos por detrás da campanha de veto ao Morumbi. A verdade é que a cidade não precisa e tampouco comporta mais uma arena nos seus domínios.
Outro absurdo é cogitar, por motivos políticos, que a cidade de São Paulo não sedie a abertura de um evento desta envergadura. Razões não faltam para isso, se ainda é preciso explicitá-las: uma das maiores cidades do mundo, pólo econômico do país, melhor infra-estrutura turística. Além dos fatores ludopédicos: bairrismos a parte, o estado de São Paulo também é o maior estado brasileiro quando se trata de futebol, além de ter sido o portão de entrada para o esporte bretão no país. É risível imaginar Belo Horizonte, ou pior, Brasília, como palco de tal evento. Se o Rio de Janeiro não é questionado como palco da final, assim deveria ser tratando-se de São Paulo.
Você, caro leitor, já estoque seus pares de havaianas e várias unidades de brazilian typical candy paçoca para vender a visitantes gringos na porta do estádio para, quem sabe, recuperar um pouquinho do seu suado dinheirinho que será sugado por oportunistas até 2014.

Caio Hornstein

“O placar não condiz com o que foi o jogo”, “tal time não mereceu essa derrota” etc… Você com certeza já ouviu essa expressões quando se quer dizer que certo resultado foi injusto. Bem, as injustiças no Campeonato Inglês desta temporada vêm ocorrendo na mesma proporção que os bons jogos, foram vários. O Arsenal começou impressionando com duas goleadas nas duas primeiras rodadas, porém, o encontro contra o Manchester United quebrou a invencibilidade do time londrino… injustamente. Os Gunners foram melhores o jogo inteiro, mas com um pênalti mal marcado a favor do Manchester e com um gol contra de Diaby o placar foi fechado em 2 a 1 para os Red Devils. Os comandados de Arsene Wenger, porém, não esperavam que o raio caísse no mesmo lugar, e pior, contra outro concorrente ao título: o Manchester City. Os Citizens saíram na frente, no começo do segundo tempo Van Persie empatou e o Arsenal foi para cima, quando se mostrava muito próximo da virada tomou o segundo; ainda vieram mais dois para coroar a atuação de Adebayor contra seu ex-time.

Pois bem, a Premier League 2009/10 reservou para sua sexta rodada o embate entre os rivais sortudos da cidade de Manchester, City x United. O melhor jogo do ano até agora começou equilibrado, com Rooney abrindo o placar aos 2 minutos de jogo e com Barry deixando tudo igual 14 minutos depois; os outros cinco gols da partida ficariam guardados para o segundo tempo. Logo no ínicio da etapa complementar Fletcher fez o primeiro de seus dois gols no jogo, Bellamy não o deixou aproveitar tal deleite empatando logo em seguida. É a partir deste momento que o clássico passa a justificar o tema deste post; com o 2 a 2 no placar o Manchester United decidiu que deveria ser ele o vencendor da partida jogada em seu estádio e partiu para cima do seu arquirrival, salvo pelas brilhantes intervenções do arqueiro irlandês Shay Given, principalmente nas cabeçadas de Berbatov. Eis que então, aos 34 minutos do segundo tempo, o árbitro Martin Atkinson (guarde esse nome) marca falta a favor dos vermelhos, que cobrada pelo melhor jogador da partida Ryan Giggs, chega até a cabeça de Fletcher e daí para o gol.

O jogo era sensacional, a vitória do Manchester United merecedíssima. Todavia, o zagueiro mais caro da história do futebol decidiu entregar um gol de graça ao Manchester City, besteira de Rio Ferdinand muito bem aproveitada por Bellamy. E isso ocorreu exatamente no minuto 45 da parte final do cotejo. Para os apreciadores do futebol jogado pra frente, incredulidade era a palavra do momento; o United não merecia aquilo por tudo que fez na partida, estava pagando por erros crassos individuais. Porém se você seguiu meu conselho e guardou o nome do juiz da partida essa é a hora de relembrá-lo. Martin Atkinson por alguma razão injustificável decidiu adicionar 7 minutos além do tempo regulamentar, sendo que 4 destes não foram sinalizados ao quarto árbitro. O resultado? O empate com sabor de vitória azul se transformou em vitória vermelha. O bom e velho Michael Owen saiu do banco para, aos 50 (!) minutos, marcar um gol histórico.

Mark Hughes, técnico do City, disse que seu time foi roubado. Exagero, esse blog prefere ver o árbitro da partida como um baluarte da justiça futebolística. O United não merecia outro resultado senão a vitória e Martin Atkinson, que julgamos ser um grande apreciador do ludopédio, arriscou-se como um justiceiro. O gol poderia ter sido do City, mas não, Atkinson foi recompensado pelos deuses do futebol. Às favas com o tempo de acréscimo justo; você já sabe, com Martin Atkinson em campo a meritocracia está garantida.

Clique nos links abaixo para ver:

os resultados da Premier League

a classificação

Rodrigo Giordano

O que eles veem

11/09/2009

No programa Bate-Bola da ESPN Brasil, na terça-feira (8), o apresentador João Palomino e os comentaristas Paulo Vinícius Coelho e Mauro Cézar Pereira discutiam sobra a provável lista de convocados da Seleção de Dunga para a Copa do Mundo do ano vindouro; analisaram posição por posição os provavéis nomes que representarão o Brasil na África. Quando a posição de atacante foi colocada em pauta Adriano tornou-se o principal assunto; discutiam se o atacante do Flamengo está com lugar garantido na Copa, PVC acha que há grandes chances, do que não discordo (infelizmente), mas o que realmente me chamou atanção é que o comentarista considerava a convocação de Adriano no lugar de Pato legítima, apesar de não concordar com ela; seu principal argumento era que o atacante está vivendo uma boa fase. Palomino concordou, Mauro Cezar calou-se e eu me assustei, mas o que me faria vir até aqui ocorreu no dia seguinte, em outro programa esportivo vespertino, o Arena SPORTV, em que Cléber Machado discutia com seus convidados exatamente o mesmo assunto já citado acima. Todos concordavam com a convocação de Adriano em razão da fase que ele vive. Ai eu parei.

Restou-me perguntar a mim mesmo que campeonato que aqueles caras estavam assistindo em que o Adriano estava jogando tanto! Tudo bem, ele tem 10 gols no Brasileirão, é vice-artilheiro, mas pra mim isso não quer dizer muita coisa, vide quem está a frente dele nesta briga: os fraquíssimos Jonas, Val Baiano e Roger, e o ótimo Marcelinho Paraíba (apesar de já estar em idade avançada). Quando Cuca era o técnico da equipe rubronegra, Adriano era um poste e só dependia de cruzamentos e pênaltis para fazer gols, com Andrade tem saído mais da área mas até agora não fez uma grande partida pelo time carioca. Dunga, o cara que chegou barrando Ronaldinho Gaúcho e Kaká se entrega à “grife” Adriano e, pior, com conssentimento de parte de nossa imprensa esportiva.

Imprensa esportiva esta que transformou o último Argentina x Brasil em uma partida com ares de final de Copa do Mundo, o que obviamente não era, afinal, o praticamente classificado Brasil ainda teria jogos como Chile, Bolivia e Venezuela para ratificar sua ida à Copa. À mídia esportiva tupiniquim parecia mais interessante inventar uma importância para este jogo, como bem observou o ótimo Leonardo Bertozzi (que também comenta jogos na ESPN) no blog da Trivela.

Não pretendo aqui explicitar como os canais e comentaristas aqui citados são péssimos e não merecem estar onde estão, pelo contrário considero que a ESPN Brasil possui os melhores profissonais do jornalismo esportivo brasileiro, o SPORTV também tem jornalistas muito competentes mas que por razões evidentes (o canal pertence à Globo) não podem dizer exatamente o que pensam. O que critico aqui é a posição destes veículos nos episódios aqui discutidos; os jovens da mídia esportiva brasileira se curvam ao Imperador e dependemos de veteranos como José Trajano, Juca Kfouri, Tostão e Fernando Calazans para servirem como resistência.

Rodrigo Giordano

Calcio à pururuca

01/09/2009

Responda rápido: Em que país os clubes vendem seus craques para saldar dívidas? Os estádios estão obsoletos? O nível técnico do campeonato nacional vem caindo nos últimos anos?

Se respondeu “Brasil”, errou.

Estamos falando da Itália, a bota.

Mas se sofrem destes mesmos problemas que nós, seu campeonato não estará mais disputado também, assim como aqui?

Vejamos.

etooA atual tetracampeã Inter continua favorita mesmo após perder Ibra, o terrível, para o Barcelona. O trio ofensivo formado por Eto’o, Diego Milito e Sneijder tem qualidade, e pode ser o diferencial. A equipe conta ainda com os brasileiros Julio César, Maicon, Lúcio e Thiago Motta e mais um belo elenco.

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Leonardo vai pagar o pato?

Já no seu rival Milan, parece que o processo de rejuvenescimento foi interrompido no meio. Mesmo com a boa dupla de zaga formada por Nesta e Thiago Silva e o ataque promissor de Pato e Huntelaar, o time sofreu com a saída de Kaká, o santo, e continua refém de jogadores que já cansamos de ver como Gattuso, Pirlo, Ambrosini, Ronaldinho. O inexperiente técnico Leonardo dará conta desse equipe em um momento tão conturbado?

A Roma pasou pela inter-temporada sem contratações expressivas e vendeu Aquilani para o Liverpool, no mais, continua com o mesmo time da temporada passada. Provavelmente não briga mais pelo título, já que depende de um gordo pesado Totti para apresentar um bom futebol. Deve chegar à zona de classificação para a UCL.

A Lazio contratou o argentino Julio, o Cruz , que fará dupla com seu compatriota Zárate no ataque. Este setor não preocupa seu técino Ballardini, mas sim a defesa. O time tentou contratar Miranda e Lugano, porém nada aconteceu. Com um elenco mediano vejamos se chega a algum lugar.

Aliás, os ataques parecem ser os trunfos de alguns times nesta temporada. A Fiorentina conta com Mutu e Gilardino e o Genoa com os hermanos Crespo, Figueroa e Palacio (aquele mesmo, do Boca) para a árdua função de botar a bola na casinha. Isso é tudo que merece ser tomado nota dessas equipes.

Agora, a grande adversária da Inter na disputa pelo título será certamente a Juventus. Foram as contratações certas para as posições certas. Fabio Cannavaro chega para tomar conta da zaga, Felipe Melo é o volante de vibração que a equipe precisava, Grosso, ocupa o lugar de bom lateral que há muito estava vago e a grande contratação da temporada de toda a Itália,

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Diego, O Cara do italianão 2009/2010

Diego, o príncipe de Turim, que já mostrou a que veio em apenas duas rodadas. Se Diego for no mínimo regular e as contratações se mostrarem boas como aparentam ser,  a Juve que conta ainda com Buffon, Camoranesi, Amauri e Del Piero pode tornar-se a sensação da Europa na temporada.

Essa é a cara do italianão 2009/2010. Como essa história vai terminar? Não deixe de acompanhar aqui, nessa mesma hora, nesse mesmo canal.

Felipe Blumen