Assisti aos últimos três jogos do Flamengo a fim de ver como o time se comportaria com a saída de Ibson para, posteriormente, colocar aqui minhas impressões sobre o esquema tático da equipe rubronegra. O que parecia um exercício simples acabou se tornando um denso material que ajuda a explicar a razão pela qual o técnico Cuca acabou fracassando no comando do time carioca.

O esquema do Flamengo era o 3-5-2, mas bem diferente do utilizado pela maioria das equipes brasileiras; Cuca é um treinador adepto da intensa variação de funções por parte de cada jogador. Pois contra o Palmeiras o time da gávea entrou em campo assim:

Bruno; Welinton, Ronaldo Angelim e Fabrício; Leonardo Moura,

Willians, o carregador de piano do Fla

Willians, o carregador de piano do Fla

Willians, Kléberson, Zé Roberto e Everton; Émerson e Adriano.

Apenas os três zagueiros e Adriano tinham posição fixa, o resto do time mudava constantemente de posição: Willians começa como cabeça de área, função que exerce melhor já que desarma muito bem, mas aparece também na lateral-direita e fechando uma linha de quatro com os zagueiros; Everton não é ala, é meia esquerda mesmo e deixa muito espaço em suas costas, que não são bem cobertas por Kléberson, dando ainda mais trabalho à Willians; Zé Roberto e Émerson trocavam de posição na armação das jogadas, porém o primeiro sempre se destacou jogando mais pelas pontas; Léo Moura começa como ala direito mas cai toda hora para o meio campo, seja para armar jogadas, seja para fazer as vezes de volante, o que funciona mal, afinal, nunca foi um grande marcador e suas entradas em diagonal já não surpreendem mais ninguém.

Contra o Botafogo a única mudança foi a entrada de Airton no lugar de Willians que estava suspenso. O time fez uma partida ruim e só chegou ao empate graças ao atacante Émerson, cujas jogadas individuais caracterizam os momentos de maior perigo que o Flamengo leva ao adversário. No entanto, contra o Barueri, Cuca decidiu fazer mudanças substanciais e este foi o time que entrou em campo:

Bruno; Airton, Ronaldo Angelim e Marlon; Leonardo Moura, Willians, Kléberson, Fierro e Jorbison; Émerson e Adriano.

O garoto Jorbison entrou bem e deu mais consistência na ala esquerda, mas Fierro, assim como Zé Roberto, é um jogador para ser utilizado pelos lados do campo e não como armador, coisa que nunca foi no Colo Colo nem na seleção chilena.

A conclusão mais importante desses três jogos, porém, está nos jogadores de quem se mais espera na atual equipe do Flamengo: Adriano é um poste, não volta para buscar bola, não arranca e pouco finaliza, só consegue aparecer em jogadas de bola parada; Kléberson está perdido sem Ibson, com o companheiro dividia a armação das jogadas e a marcação no meio de campo, pois com Fierro e Zé Roberto sendo incompetentes no setor ofensivo, Kléberson fica sobrecarregado. E aí se percebe o pecado de Cuca; o treinador parece ter esquecido que a melhor tática é aquela que respeita as principais características de cada jogador. Pois o ex-técnico flamenguista virou escravo do 3-5-2 e da intensa variação de posições que funcionou em seu Botafogo de 2007; o problema é que no time de General Severiano havia jogadores adaptados a exercer esse esquema. No Flamengo, Léo Moura e Juan não Cucamarcam ninguém, Adriano não se movimenta, e o mais importante, sem Ibson o time perdeu o homem que parava a bola no meio campo. O elenco do Flamengo é nada mais que razoável, porém se bem montado pode brigar por uma vaga na Libertadores, o que faria muito gente apontar Cuca (foto) como um dos grandes responsáveis pelo feito; mas as pressões internas e externas, a dificuldade de lidar com os privilégios de Adriano e o amadorismo da direção do clube, ajudaram-no a cavar sua própria cova.

Rodrigo Giordano

Pega! Pega!

20/07/2009

O futebol divertido, gozador e irreverente está perdido. Pois o que se viu nesse sábado no São Januário foi ridículo. O garoto do time da casa Philippe Coutinho, foi advertido pelo árbitro por estar pedalando para cima dos marcadores. “Fiz para preveni-lo de futuras pancadas”, bela justificativa.

O que seria desse coitado em outra época do futebol? Pois como dito por Mouzar Benedito em uma crônica: “Garrincha chamava os marcadores de ‘João’ e dava-lhes um baile, coisa que hoje seria considerada humilhação e justificaria aos adversários baixarem-lhe o sarrafo – com a complacência dos comentaristas esportivos: ‘Ah, mas ele provocou…’ ”.

E não precisamos ir tão longe. Renato Gaúcho, Romário, Edmundo, Vampeta, Valdívia, faziam a festa das torcidas (de seus times, claro) dentro e fora de campo. Viola, que comemorou um gol imitando um porco em um Corinthians x Palmeiras, hoje certamente tomaria um cartão amarelo.

As declarações provocantes em semanas de clássicos viraram combustível para pancadaria, de jogadores e de bandidos torcedores.

A onda do “politicamente correto” está tirando o brilho do futebol. Temos que provocar, zombar, driblar, pedalar, chapelar. Mas claro,”nunca deixando de respeitar o adversário”

Felipe Blumen

Valores

10/07/2009

Este é um post espontâneo, um post que não deveria estar aqui; ele toma o lugar de um outro que foi por muito tempo pensado e repensado e, felizmente, não postado. Se um fato inusitado não tivesse ocorrido, agora você estaria lendo sobre um fenômeno que, eu considero, tem sido frequente no futebol brasileiro: a supervalorização dos técnicos. Os argumentos já estavam prontos, a retórica já estava feita. Como prova de minha tese citaria o Palmeiras, que pagava um salário astronômico para Vanderlei Luxemburgo e sua comissão técnica; o Grêmio que deixou seu time 2 meses nas mãos do interino Marcelo Rospide, na espera de Paulo Autuori deixar seu clube no Oriente Médio para acertar com os gaúchos etc. Diria que o cargo de treinador tornou-se superestimado em razão de dois fatores básicos: o exôdo cada vez maior de nossos craques para o exterior fez com que torcedores, imprensa e dirigentes não enxergassem mais em campo quem eram os responsáveis pela vitória de seus times, que tinham elencos razoáveis; o treinador, então, passou a sê-lo. O outro fator advém da fórmula de pontos corridos estabelecida desde 2003 para o Campeonato Brasileiro que até hoje só teve 3 técnicos vencedores da competição (Vanderlei Luxemburgo com o Cruzeiro em 2003 e o Santos em 2004, Antônio Lopes com o Corinthians em 2005 e Muricy Ramalho com o São Paulo em 2006, 2007 e 2008), esses dados tornaram o comando de uma equipe ainda mais valorizado. Mas não é disso que esse post se trata.

O meu outro argumento quanto a supervalorização dos técnicos seria sobre o esforço absurdo que o Palmeiras fazia para trazer Muricy Ramalho para comandar a equipe do Palestra Itália, o que irrompeu uma cobertura diária da imprensa sobre o assunto e despertou uma tensão enorme no torcedor palestrino. Pois Luiz Gonzaga Belluzzo tomou sua primeira atitude digna dos elogios esperançosos que recebeu quando assumiu o clube e mais, tornou-se exceção da regra explicítada por mim acima; diante da oferta salarial oferecida pelo Palmeiras, Muricy exigiu mais, se aproximando do que Luxemburgo ganhava e que foi uma das razões implícitas para ser mandado embora do clube. Belluzzo então, no auge de sua coerência como grande economista que é, rejeitou Muricy. Com isso, tomou uma atitude extramente racional, já que tais gastos exorbitantes continuariam a fazer mal para a saúde financeira do clube, e ainda demonstrou ter plena noção da grandeza do Palmeiras. Talvez neste momento, Muricy era mais importante para o Palmeiras do que o contrário, porém, que eu saiba, seus títulos não o fazem um milagreiro a quem o clube deveria se curvar e pagar o quanto fosse.

Belluzzo agora vai atrás do melhor técnico possível que se encaixe no orçamento palestrino, muito provavelmente porque, assim como eu, ainda acredita que é quem está dentro de campo que realmente faz a diferença. E talvez seja disso que este post se trate.

Rodrigo Giordano

O tri-campeonato da Copa do Brasil conquistado pelo bom e consistente time do Corinthians diante de um Internacional  alardeado e decepcionante veio para consagrar o bom momento da equipe do Parque São Jorge.

Se há cerca de 1 ano e meio o cenário era o mais desolador possível com o rebaixamento para a série B do Campeonato Brasileiro, hoje os corintianos tem bons motivos para comemorar no que se refere às atuações do time dentro das 4 linhas . Desde a impecável campanha de ascenção à série A, passando pelo título invicto do Campeonato Paulista e finalmente(?) o troféu da Copa do Brasil que permitirá ao clube disputar a almejada Libertadores no ano de seu centenário. Vale destacar, tudo isso mantendo apenas um técnico à frente do time durante o período.

Se dentro da cancha as coisas vão bem, a torcida alvi-negra não pode se iludir com os títulos conquistados e passar a aplaudir incondicionalmente sua diretoria, liderada pelo presidente Andrés Sanchez. O clube segue com uma dívida que parece “insaldável”  e o período de bonança não parece vir acompanhado de investimentos em infra-estrutura que são fundamentais a longo-prazo.  Com uma estrutura aparentemente frágil, as faixas que hoje são usadas como adorno de comemoração, amanhã poderão ser usadas como lenço para conter as lágrimas do insucesso. Vale lembrar que Alberto Dualib foi o presidente mais vencedor da história corintiana e, quando vencedor, era aplaudido.

Em meio às festas e ao foguetório, a cúpula já precisa dar início ao planejamento para o ano que vem, se deseja, finalmente, fazer um bom papel na competição mais importante do continente. A esperança e a cobrança da torcida será grande no ano centenário.

Caio Hornstein