Valores

10/07/2009

Este é um post espontâneo, um post que não deveria estar aqui; ele toma o lugar de um outro que foi por muito tempo pensado e repensado e, felizmente, não postado. Se um fato inusitado não tivesse ocorrido, agora você estaria lendo sobre um fenômeno que, eu considero, tem sido frequente no futebol brasileiro: a supervalorização dos técnicos. Os argumentos já estavam prontos, a retórica já estava feita. Como prova de minha tese citaria o Palmeiras, que pagava um salário astronômico para Vanderlei Luxemburgo e sua comissão técnica; o Grêmio que deixou seu time 2 meses nas mãos do interino Marcelo Rospide, na espera de Paulo Autuori deixar seu clube no Oriente Médio para acertar com os gaúchos etc. Diria que o cargo de treinador tornou-se superestimado em razão de dois fatores básicos: o exôdo cada vez maior de nossos craques para o exterior fez com que torcedores, imprensa e dirigentes não enxergassem mais em campo quem eram os responsáveis pela vitória de seus times, que tinham elencos razoáveis; o treinador, então, passou a sê-lo. O outro fator advém da fórmula de pontos corridos estabelecida desde 2003 para o Campeonato Brasileiro que até hoje só teve 3 técnicos vencedores da competição (Vanderlei Luxemburgo com o Cruzeiro em 2003 e o Santos em 2004, Antônio Lopes com o Corinthians em 2005 e Muricy Ramalho com o São Paulo em 2006, 2007 e 2008), esses dados tornaram o comando de uma equipe ainda mais valorizado. Mas não é disso que esse post se trata.

O meu outro argumento quanto a supervalorização dos técnicos seria sobre o esforço absurdo que o Palmeiras fazia para trazer Muricy Ramalho para comandar a equipe do Palestra Itália, o que irrompeu uma cobertura diária da imprensa sobre o assunto e despertou uma tensão enorme no torcedor palestrino. Pois Luiz Gonzaga Belluzzo tomou sua primeira atitude digna dos elogios esperançosos que recebeu quando assumiu o clube e mais, tornou-se exceção da regra explicítada por mim acima; diante da oferta salarial oferecida pelo Palmeiras, Muricy exigiu mais, se aproximando do que Luxemburgo ganhava e que foi uma das razões implícitas para ser mandado embora do clube. Belluzzo então, no auge de sua coerência como grande economista que é, rejeitou Muricy. Com isso, tomou uma atitude extramente racional, já que tais gastos exorbitantes continuariam a fazer mal para a saúde financeira do clube, e ainda demonstrou ter plena noção da grandeza do Palmeiras. Talvez neste momento, Muricy era mais importante para o Palmeiras do que o contrário, porém, que eu saiba, seus títulos não o fazem um milagreiro a quem o clube deveria se curvar e pagar o quanto fosse.

Belluzzo agora vai atrás do melhor técnico possível que se encaixe no orçamento palestrino, muito provavelmente porque, assim como eu, ainda acredita que é quem está dentro de campo que realmente faz a diferença. E talvez seja disso que este post se trate.

Rodrigo Giordano

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Uma resposta to “Valores”

  1. Kim Paiva Says:

    Muricy é tricolor!!


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