O que eles veem

11/09/2009

No programa Bate-Bola da ESPN Brasil, na terça-feira (8), o apresentador João Palomino e os comentaristas Paulo Vinícius Coelho e Mauro Cézar Pereira discutiam sobra a provável lista de convocados da Seleção de Dunga para a Copa do Mundo do ano vindouro; analisaram posição por posição os provavéis nomes que representarão o Brasil na África. Quando a posição de atacante foi colocada em pauta Adriano tornou-se o principal assunto; discutiam se o atacante do Flamengo está com lugar garantido na Copa, PVC acha que há grandes chances, do que não discordo (infelizmente), mas o que realmente me chamou atanção é que o comentarista considerava a convocação de Adriano no lugar de Pato legítima, apesar de não concordar com ela; seu principal argumento era que o atacante está vivendo uma boa fase. Palomino concordou, Mauro Cezar calou-se e eu me assustei, mas o que me faria vir até aqui ocorreu no dia seguinte, em outro programa esportivo vespertino, o Arena SPORTV, em que Cléber Machado discutia com seus convidados exatamente o mesmo assunto já citado acima. Todos concordavam com a convocação de Adriano em razão da fase que ele vive. Ai eu parei.

Restou-me perguntar a mim mesmo que campeonato que aqueles caras estavam assistindo em que o Adriano estava jogando tanto! Tudo bem, ele tem 10 gols no Brasileirão, é vice-artilheiro, mas pra mim isso não quer dizer muita coisa, vide quem está a frente dele nesta briga: os fraquíssimos Jonas, Val Baiano e Roger, e o ótimo Marcelinho Paraíba (apesar de já estar em idade avançada). Quando Cuca era o técnico da equipe rubronegra, Adriano era um poste e só dependia de cruzamentos e pênaltis para fazer gols, com Andrade tem saído mais da área mas até agora não fez uma grande partida pelo time carioca. Dunga, o cara que chegou barrando Ronaldinho Gaúcho e Kaká se entrega à “grife” Adriano e, pior, com conssentimento de parte de nossa imprensa esportiva.

Imprensa esportiva esta que transformou o último Argentina x Brasil em uma partida com ares de final de Copa do Mundo, o que obviamente não era, afinal, o praticamente classificado Brasil ainda teria jogos como Chile, Bolivia e Venezuela para ratificar sua ida à Copa. À mídia esportiva tupiniquim parecia mais interessante inventar uma importância para este jogo, como bem observou o ótimo Leonardo Bertozzi (que também comenta jogos na ESPN) no blog da Trivela.

Não pretendo aqui explicitar como os canais e comentaristas aqui citados são péssimos e não merecem estar onde estão, pelo contrário considero que a ESPN Brasil possui os melhores profissonais do jornalismo esportivo brasileiro, o SPORTV também tem jornalistas muito competentes mas que por razões evidentes (o canal pertence à Globo) não podem dizer exatamente o que pensam. O que critico aqui é a posição destes veículos nos episódios aqui discutidos; os jovens da mídia esportiva brasileira se curvam ao Imperador e dependemos de veteranos como José Trajano, Juca Kfouri, Tostão e Fernando Calazans para servirem como resistência.

Rodrigo Giordano

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