O título se refere ao Campeonato Brasileiro de 2009; o campeonato que só é interessante pra imprensa que quer vendê-lo e para quem não torce para nenhum time que está na disputa. Provavelmente flamenguistas ou são-paulinos terminarão com um sorriso no rosto, mas esse campeonato foi tosco.

No aspecto técnico nada de muito diferente dos últimos anos; jogos truncados, poucas jogadas bonitas e os locutores abusando do: “o jogo está fraco tecnicamente mas sobrando em emoção”. Você vai dizer que o campeonato está tendo um equilíbrio impressionante, com até 6 times chegando ao fim do certame pensando em título. Mas esse equilíbrio vem do péssimo nível técnico das 20 equipes, na qual um confronto entre o primeiro e o último colocado é uma grande incógnita; os confrontos diretos entre os que disputam a taça normalmente são jogos horríveis, afinal, ambos os times têm medo de perder.

Não obstante a técnica degradante que as equipes brasileiras vêm apresentando, este campeonato teve um componente a mais para torná-lo desagradável: a arbitragem. Mas você se engana se pensa que ela anda por aí sozinha aprontando das suas, conta com a importantíssima ajuda do STJD, que aproveita este momento final para colocar suas manguinhas de fora. Exemplifiquemos:

-Vágner Love leva uma suspensão de dois jogos por uma falta que foi punida com cartão vermelho pelo árbitro da partida, ou seja, não interessa o que o homem que comanda a peleja determina, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva pune como bem entende.

-Dagoberto, contra o Grêmio, faz uma falta do mesmo nível da de Vágner e é suspenso por três jogos; Jean, no mesmo jogo, com uma falta mais leve que a dos dois citados é punido da mesma maneira; já Borges, que agrediu o volante Túlio do time gaúcho também foi suspenso por 3 jogos.

-Alan, atacante do Fluminense, desferiu uma cabeçada em Armero, do Palmeiras, que abriu o supercílio do lateral colombiano durante o embate entre ambas equipes.  Alan não foi punido, um dos juízes alegou que ele havia sofrido muitas faltas durante o jogo, entende-se: “dente por dente, olho por olho”.

Mas são, realmente, os árbitros que tem se superado; a arbitragem brasileira virou terra de ninguém. Sérgio Corrêa, o presidente da comissão de arbitragem, não se pronuncia sobre nada, simplesmente afasta os juízes que se envolvem em lances polêmicos, e Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, está preocupado demais em leiloar amistosos da seleção e aumentar cada vez mais o caixa de uma confederação já riquíssima. Erros de arbitragem ocorreram em todas as edições do Brasileirão, isso é óbvio, mas neste eles têm se concentrado mais ao final do campeonato e influenciado muito na luta pelo título. Novamente, exemplifiquemos:

-Obina e Maurício, ambos do Palmeiras, trocam tapas e socos ao fim do primeiro tempo do jogo contra o Grêmio; ambos são devidamente expulsos por Héber Roberto Lopes (o mesmo que não quis deixar o time do Palestra Itália com dois a menos no clássico contra o Corinthians, ao dar apenas cartão amarelo a Danilo após carrinho criminoso em Jorge Hnerique).

– Hugo e André Dias, ambos do São Paulo, fizeram algo semelhante ao seus colegas palmeirenses; no jogo contra o Vitória, trocaram cabeçadas e tapas dentro da área. Leandro Pedro Vuaden (o que deixa o jogo correr) erroneamente só aplicou cartões amarelos aos dois.

Não é nem preciso citar os erros de Carlos Eugênio Simon (o que vai pra terceira Copa seguida), Elmo da Cunha e de tantos outros que erraram durante o campeonato inteiro. O que mais irrita é a falta de CRITÉRIO, cada um apita a sua maneira; um exercício simples mostra como a aplicação de diferentes critérios altera certos resultados:

-Se Vuaden tivesse apitado Grêmio x Palmeiras, somente Maurício teria sido expulso, pois já tinha amarelo (que aliás dificilmente o árbitro gaúcho teria dado). Se Héber tivesse apitado São Paulo x Vitória, Hugo e André Dias teriam sido expulsos logo no primeiro tempo do jogo que o tricolor paulista venceu por 2 a o. Se qualquer um dos vários árbitros brasileiros que veem falta em tudo tivesse apitado Grêmio x Palmeiras, teria dado pé alto de Maxi Lopez em lance que originou o gol do time gaúcho.

Não estou querendo dizer com esse texto que se certo time for campeão será de maneira injusta, pelo contrário. Só acho que muitas decisões poderiam ter dado rumos diferentes à disputa, e isso tudo por algo facilmente solucionável: o estabelecimento de um critério para toda arbitragem brasileira. Se for decidido que espirrar em campo é caso de cartão amarelo, que assim seja, desde que respeitado por todos. Porque a última coisa que um futebol tecnicamente nivelado por baixo precisa é uma arbitragem que sofra do mesmo problema. O melhor que fazemos agora é esperar pelo dia em que o campeonato seja equilibrado pelo excelente nível técnico dos competidores e ninguém nem saiba quais os nomes daqueles homens que andam pelo gramado com um uniforme diferente de todos os outros.

Rodrigo Giordano

“O Arsenal é o time mais legal de se ver jogar na atual temporada” disse Arnaldo Ribeiro durante o ‘Sportscenter’ na ESPN Brasil e dizem muitos outros que acompanham o campeonato inglês. Eu entendo, mas discordo. É absolutamente compreensível que se pense isso de um time que fez 36 gols em 11 jogos; resultados como 4 a 1 no Portsmouth, 6 a 2 no Blackburn, 3 a 0 no Tottenham servem para confirmar isso. Mas o principal é a técnica apresentada por seus jogadores de frente, Arshavin, Fábregas e Van Persie, ajudados por Eduardo, Nasri e Rosicky têm feito um campeonato extraordinário, com jogadas que explicam o que é o “futebol bonito”.

Mas lembre-se que eu discordo de que o melhor time para se assistir é o Arsenal, para mim é o Chelsea. Os Blues apresentam uma consistência e equilíbrio impressionantes; o time londrino é forte em todos os setores do campo. Não entenda, porém, que o Chelsea joga feio, que faz um gol e depois administra, não é isso que ocorre. Congratulações a Carlo Ancelotti, o treinador italiano transformou a equipe pragmática de Guus Hiddink em um time vencedor, que ataca sem expor, e uma das principais razões disso foi a contrução do meio-campo feita por Ancelotti. Quando técnico do Milan era tratado com uma certa má vontade pela imprensa brasileira, que o considerava retranqueiro; pois é esse mesmo homem que conseguiu fazer funcionar o trio Ballack, Lampard e Deco. O brasileiro naturalizado português foi um pedido de Luiz Felipe Scolari quando este chegou ao Chelsea e depois de alguns maus resultados o gaúcho considerou que não seria possível utilizar os três jogando juntos, Deco perdeu lugar e logo depois se machucou. Ancelotti logo colocou o ex-meia do Barcelona como titular e principal armador da equipe, que agora possui um meio-campo em forma de losango, com Essien na cabeça-de-área e Lampard e Ballack ajudando tanto na marcação quanto na contrução de jogadas, Deco fica mais a frente. Aliado a isso, a grande fase de Didier Drogba ajuda a explicar por que o Chelsea é o líder do campeonato inglês.

As jogadas vistas na maioria dos jogos do Arsenal são realmente dislumbrantes, mas a beleza do futebol não está só em lances bonitos. Futebol é eficiência, é todo um conjunto de fatores que faz uma equipe vencedora. E o Chelsea tem cara de equipe vencedora, pois ninguém consegue aliar uma defesa forte, um meio-campo talentoso e o melhor centroavante do mundo na atualidade de forma tão coesa quanto o time do sul de Londres. Isso fica explícito nos resultados do Arsenal até agora, as duas derrotas que os Gunners sofreram foram para os dois times de Manchester, exatamente os únicos adversários diretos pela briga do título que o time de Arsene Wenger enfrentou. Ou seja, o Arsenal não consegue ser o mesmo time diante de adversários mais fortes (mesmo que tenha merecido melhor sorte nos dois jogos citados, como dissemos aqui).

Dia 29 de novembro tem início a 14ª rodada do Inglesão 2009/10, Chelsea e Arsenal irão se enfrentar e tudo que foi dito aqui será ratificado, ou não. Não seria essa a verdadeira beleza do futebol?

Rodrigo Giordano