Dia 6: Aqueceu?

16/06/2010

O Louco

Quem achava que não valia a pena acordar cedo para ver a primeira partida do dia de hoje é porque não viu o Chile jogar as Eliminatórias sulamericanas, na qual Marcelo Bielsa formou um time ultraofensivo que terminou em segundo lugar na disputa para ir à Copa. Pois a seleção chilena atacou Honduras desde o primeiro minuto de jogo com belos passes de Matias Fernandez, além dos dribles e jogadas rápidas de Alexis Sanchez e Beausejour, isso para sem falar em Valdívia, que substituiu muito bem o artilheiro Suazo, mesmo não tendo as características para jogar na função em que foi escalado. Honduras é um time frágil, isso ficava mais claro quando o Chile atacava com vários jogadores e permitia contra-ataques para a equipe branca e azul, estes eram sempre desperdiçados. “El Loco” Bielsa terá que corrigir algumas coisas para os próximos compromissos chilenos: a equipe errou muitos “últimos passes”, e como ataca sempre com muitos jogadores, deixava sua defesa assaz exposta, além disso, os chilenos poderiam ter constituído um maior saldo de gols se caprichassem mais nas finalizações. Foi ótimo ver o Chile jogar hoje, Bielsa parece que manda o tal do “futebol moderno” às favas e manda seu time pra cima sem pensar nas consequências. Numa Copa com jogos chatíssimos, era exatamente isso que precisávamos.

A Espanha enfrentou um adversário tão recuado quanto o Brasil, porém, de muito maisqualidade; ao contrário do time de Dunga, os espanhóis tomaram conta do campo adversário e tocaram a bola incessantemente, mas faltava precisão na hora de fazer o gol. O primeiro tempo foi o jogo de um time só. Na segunda etapa, a peleja ficou mais aberta e os suiços se lembraram que seus atcantes não estavam só fazendo figuração no gramado e passaram a utilizar mais o forte N’kufo e o rápido Derdiyok. Chutão do goleiro, alguém toca na bola, troca de passes, um típico enrosca-enrosca e pronto. Gélson Fernandes abriu o caminho para o jogo mais emocionantes da Copa até agora; não havia outra opção à Fúria do que não ir (mais) pra cima: entraram Fernando Torres, Jesus Navas e Pedro. Xabi Alonso colocou bola na trave, Navas perdeu gol na cara, Piqué parou em Benaglio, no entanto, a melhor chance de gol foi dos helvécios quando Derdiyok driblou três jogadores e quase fez o tento mais bonito da Copa.

O ferrolho suiço não tomou gol em 4 jogos da Copa de 2006 e caminha para o mesmo caminho, agora tendo jogadores mais talentosos no meio e no ataque. À Espanha resta focar em vencer Honduras e Chile, o que é absolutamente possível e provável. Vão começar a chamar o time de amarelão mas este vai ser o típico comentário de quem não viu o jogo; a Espanha perdeu mais bonito do que o Brasil venceu. Ao contrário do primeiro jogo citado, aqui o “futebol moderno” ganhou.

Os sul-africanos pareciam surpresos com a propriedade com que os uruguaios tomavam conta do jogo, só deu celeste nos primeiros 10 minutos. Trocando passes e usando as laterais, os anfitriões tentaram equilibrar o jogo mas Forlán com um chutaço de fora da área não permitiu que isso fosse possível. Veio a segunda etapa e os africanos não conseguiam impor seu jogo, o

desespero foi tomando conta da inexperiente equipe que assistiu Khune fazer pênalti em Suarez e ser expulso. Forlán, de novo. Uruguai 2 a0. Ainda deu tempo de Alvaro Pereira deixar o dele, e a situação dos donos da casa ficou ainda mais difícil.

Quem assistiu ao primeiro jogo dos sulamericanos, contra a França, no primeiro dia do torneio, ficou impressionado com a mudança da equipe. Óscar Tabarez pode ser considerado o grande responsável por isso. No meu post do primeiro dia da Copa, disse que a equipe sofria demais com a falta de um armador e que o esquema com 3 zagueiros era prejudicial aos atacantes e alas. Tabarez percebeu isso e mudou o esquema, agora só Godín e

O Cara

Lugano faziam a zaga, a sua frente, um losango com Arevalo de primeiro volante, Perez pela direita e Alvaro Pereira pela esquerda, Forlán era o “enganche”. E essa foi a grande mudança, o camisa 10 e mais talentoso jogador da celeste foi recuado e Cavani entrou em sua posição. Assim, o Uruguai fez uma grande partida, jogando de forma muito consistente e ficando muito perto da classificação para a segunda fase, algo que não acontece desde 1990, quando o técnico era… Óscar Tabarez.

Seleção do dia: Benaglio; Isla, Grichting, Godín e Fucile; Arévalo Rios, Gélson Fernandes, Matías Fernandez e Forlán; Suarez e Sánchez.

Pitacos: Não entendi porque Vicente Del Bosque escalou dois volantes de contenção (Busquets e Xabi Alonso) diante da Suiça que obviamente iria jogar retrancada; o treinador tinha inúmera opções mais interessantes como Fábregas, recuar Iniesta e colocar Pedro ou Navas desde o começo. Pela primeira vez em seis dias tive a sensação de estar realmente assistindo ao torneio mais importante do mundo, todos os jogos de hoje foram interessantes com suas diferentes nuances. Que continue assim.

Rodrigo Giordano

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