This time for Mazembe

14/12/2010

No ano da primeira Copa do Mundo a ser realizada no continente africano, quando todos apostavam nos sucessos das promissoras seleções Costa do Marfim, Gana ou até mesmo a anfitriã África do Sul, nada de bom aconteceu para o futebol africano. Didier Drogba e Samuel Eto’o, por exemplo, brilharam em seus clubes, mas deixaram (e muito) a desejar no mundial.

Meses se passaram e o mundo da bola curou-se da febre da África, voltando os africanos para o lugar que sempre ocuparam no futebol, nenhum. Até agora.

Grata surpresa para todos que acompanham o Mundial de Clubes da FIFA, o time congolês chamado Mazembe roubou a cena ao desbancar o favorito Pachuca do México e o dito “favoritíssimo” Inter de Porto Alegre.

Comemorações africanas: surpeendendo desde 1982

A surpresa, porém, foi apenas para os que não tiraram o salto alto o olho do próprio umbigo. Como toda equipe africana da história do futebol, o Mazembe aposta na velocidade, na força e na determinação de seus jogadores, sem deixar, no entanto, de sofrer com a displicência e a falta de fundamentos também características do ludopédio do continente. Havia chances reais de ganharem.

É claro que a imprensa tupiniquim rapidamente tratou a partida como a “derrota do favorito”, “o maior vexame da história gaúcha”. Ora, todos os méritos ao Mazembe, com seus craques de nomes impronunciáveis e cabelos descoloridos, com seu goleiro que pula com os glúteos, com seus torcedores a caráter. Jogou para ganhar e ganhou. Mantras de “maior posse de bola” e de “gols perdidos” serão entoados, mas fazendo minhas as palavras de um sábio: “justiça no futebol é bola na casinha.”

O glorioso Mazembe já conquistou o mundo, pessoas assitirão à final sem se importar com o resultado, garotos repetirão a dança de Kidiaba nas peladas de rua, vuvuzelas sairão do armário, camisetas South Africa 2010 voltarão a ser usadas (afinal, têm de servir para algo), Shakira voltará a ser ouvida por todos os cantos.

Isso tudo, claro, por umas duas semanas, quando voltaremos a esquecer o bravo time africano, ocupando-nos com problemas maiores como as contratações da nossas equipes, os gastos de natal e o lugar ideal para assitir ao show da virada.

Que o Mazembe aproveite o momento de glória e a recaída da febre que assolou o globo em junho, que façam um bom jogo contra seu próximo adversáro, provavelmente outro “favoritaço”. Essa é a graça do futebol, que muitas vezes mais se repitam os gritos desconsolados de gol de Galvão Bueno.

Libertadores e mundial, Celso Roth?

 

Felipe Blumen

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