Como foi dito e repetido várias vezes por um famoso jornalista esportivo nestes últimos dias, a última vez em que a Uefa Champios League não contou com nenhum participante inglês na fase de quartas de final foi em 1996. Mais. A ilha colocou sete finalistas nas últimas sete edições do certame, incluindo uma final totalmente inglesa entre Chelsea x Manchester em 2008.
Isso era reflexo de um certo desequilíbrio no ludopédio europeu, de um período no qual todos apostávamos sem pensar duas vezes que o Arsenal voador de Wenger atropelaria tranquilamente a sempre campeã Inter de Milão ou o (até então) sempre amarelão Real Madrid.
O mesmo valia para o sempre bom Manchester United, o sempre rico Chelsea de Mourinho e o sempre copeiro Liverpool.
Desequilíbrio resultante dos anos e anos de fortalecimento daquele que se tornou o melhor certame nacional do mundo, a liga inglesa. Talvez pelo fato de ser o único campeonato – dentre os melhores – que não limita a quantidade de estrangeiros que seus times devem usar.
Exemplo disso foi o ressurgimento de equipes tradicionais e até então esquecidas. Como o novo time com escalação de videogame – movido a dinheiros do além-Constantinopla – do Manchester City e o “time de conjunto” do Tottenham.
Mas recentemente tudo mudou na terra do casamento real.
O copeiro Liverpool passou das taças aos pires na mão e tenta remontar seu time. O “Wenger way of football” do Arsenal parece estar finalmente se esgotando. O dinheiro do Chelsea não consegue mais comprar um bom técnico e continua pagando salários inúteis, como de zagueiros adúlteros e meias velhacos. O United continua sempre bom, mas foi atropelado pela consolidação da máquina de futebol do Barcelona e pelo Real Madrid que, aparentemente, parou de amarelar. O City viu que tem tanta camisa na UCL quanto o Corinthians na Libertadores e o Tottenham viu que não é sempre que se faz uma ótima temporada.
Resultado: Manchester azul e Manchester vermelho eliminados na primeira fase, Arsenal passando vergonha, Chelsea sem muita bola e Tottenham e Liverpool sem dar as caras.
Ao que parece, daqui a um mês os fãs do futebol inglês já não terão para quem torcer na UCL (the chaaaaaaampiooooons).
Resta, pelo menos para alguns – torcedores dos times de Manchester, que são favoritos na liga nacional e na Europa League -, torcer para que possam dizer no final da temporada que conseguiram ganhar o campeonato nacional mais forte do mundo.
Mas, se saem os ingleses,  em seu lugar entram equipes outrora esquecidas pelos apreciadores de futebol europeu. A má fase inglesa, sua ausência nas fases decisivas, dá lugar para equipes sem tanto poder aquisitivo. Engana-se, porém, quem pensa que isso é mal para o futebol.
Ou alguém não tremeu com o San Paolo?

Menos chá e mais massa na UCL 11-12

 

Felipe Blumen

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Comecemos com a Espanha, o que nos dá a oportunidade de fazer um mea culpa. O leitor mais atento há de se lembrar que no início de nossos trabalhos prometemos analisar os Campeonato da Espanha, Inglaterra e Itália, com cada um dos escritores deste blog ficando responsável por um deles. O leitor mais atento também deve ter percebido que não há nenhum post sobre o Campeonato Espanhol. Mas antes de atirar as pedras no tão simpático quanto preguiçoso Caio Hornstein, devemos tantar entender o que o fez não compartilhar suas impressões sobre La Liga conosco. O Espanholzão desta temporada foi chatíssimo, Barcelona e Real Madrid disputaram um campeonato paralelo (a diferença de pontos entre o Real, segundo colocado, para o Valência, terceiro, foi de 25 pontos) e deles pra baixo o nível técnico das equipes pode ser comparado com o das equipes medianas do Brasileiro; tivemos alguns fatos in teressantes como o recorde de pontos dos dois primeiros colocados, os duelos entre Cristiano Ronaldo e Messi, a briga acirrada contra o rebaixamento etc., mas isso foi muito pouco para merecer uma análise neste blog, afinal, se você ler o “o que é esse blog” ali em cima, perceberá que não nos interessa discutir sobre assuntos que podem ser encontrados da mesma forma em outros lugares e “o futebol bonito do Barça” e “os galáticos do Real” foram lugares comuns na mídia. Talvez tenhamos falhado em não trazer algo diferente sobre o Espanhol e pedimos desculpas por não cumprir algo que prometemos, achamos que foi por um princípio maior, porém.

Na Itália, a Inter deu uma lição no Real Madrid: contratações cirúrgicas sem gastar bilhões; Lúcio, Thiago Motta, Sneijder, Eto’o e Milito foram essenciais na conquista da tríplice coroa. Mourinho soube armar a equipe para cada jogo da segunda fase da Champions, apesar do time ter escorregado no Italiano e quase permitir que um título ganho ficasse com a Roma. São grandes as expectativas para ver como a equipe irá se rearranjar após a saída do treinador português, assim como para ver o que Adriano adicionará à Roma. O Milan também busca novo treinador e a grande decepção da temporada, a Juventus, procura se reerguer após sua pior campanha em 40 anos. Ao contrário do que o Felipe sabiamente nos relatou ano passado, a temporada 2010/11 tem tudo para apresentar um nível técnico mais elevado e um maior equilíbrio entre as 4 equipes citadas acima.

Modéstia à parte, eu avisei: quando todos se impressionavam com o Arsenal, eu vangloriava o Chelsea. Belíssima temporada dos Blues, com um Drogba arrasador e o melhor Lampard dos últimos anos; o primeiro ano de Ancelotti demonstrou uma equipe muito consistente e um futebol bem jogado, as conquistas da Premier League e da FA Cup provaram isso. O Inglesão 2009/10 deixou claro novamente porque a Liga Inglesa é tida como a melhor do mundo: grandes clássicos, vários craques e bons jogos até com times do meio da tabela. Ao Arsenal faltou maturidade (e futebol?) para vencer os jogos mais importantes, os Gunners, porém, mostraram ter grande capacidade de reação e persistência nos últimos jogos, os quais vários foram decididos nos últimos minutos. O Liverpool foi a grande decepção, com problemas externos e várias lesões, a má campanha acabou resultando na saída de Rafa Benítez; o Manchester United disputou o título até o fim, mas o fantasma de Cristiano Ronaldo parece se manter em Old Trafford apesar da grande temporada de Wayne Rooney; Manchester City e Tottenham fizeram uma disputa muito equilibrada pela última vaga na próxima Champions League e os Spurs conseguiram o quatro lugar com justiça, foi uma ótima temporada da equipe de Harry Redknapp que contou com grandes atuações de Gomes, Modric e Defoe.

Na França, o Olympique de Marseille foi campeão após 18 anos; na Alemanha, o Leverkusen fez o que eu e muita gente esperava dele e após liderar por várias rodadas não conseguiu nem uma vaga para a próxima Champions, o Bayern agradeceu e depois de uma bela arrancada, ficou com o Alemaozão 09/10 e com a Copa da Alemanha, além de chegar à final da UCL; em Portugal, o Benfica encheu sua equipe de sulamericanos e perdeu apenas 2 jogos; na Turquia, uma surpresa: o Bursaspor deixou os grandes para trás e levou seu primeiro título, pela primeira vez em 25 anos o campeão não foi Fenerbahçe, Galatasaray ou Besiktas; na Grécia, o Panathinaikos conquistou o décimo nono título de sua história, além de vencer também a Copa da Grécia. A grande temporada da equipe ficou clara na convocação de Otto Renhagel, técnico da seleção helênica, que chamou 8 jogadores do time de Gilberto Silva para a disputa da Copa do Mundo.

Aliás, a equipe Entretraves promete uma grande cobertura do Mundial; posts diários do que mais interessante acontecer no maior torneio de futebol do mundo. E como não é de nosso feitio ficar em cima do muro, já admitimos que torceremos para a Sérvia durante a disputa, esperando que Milos Krasic seja o grande craque da Copa. Pode nos cobrar depois.

Rodrigo Giordano

“O Arsenal é o time mais legal de se ver jogar na atual temporada” disse Arnaldo Ribeiro durante o ‘Sportscenter’ na ESPN Brasil e dizem muitos outros que acompanham o campeonato inglês. Eu entendo, mas discordo. É absolutamente compreensível que se pense isso de um time que fez 36 gols em 11 jogos; resultados como 4 a 1 no Portsmouth, 6 a 2 no Blackburn, 3 a 0 no Tottenham servem para confirmar isso. Mas o principal é a técnica apresentada por seus jogadores de frente, Arshavin, Fábregas e Van Persie, ajudados por Eduardo, Nasri e Rosicky têm feito um campeonato extraordinário, com jogadas que explicam o que é o “futebol bonito”.

Mas lembre-se que eu discordo de que o melhor time para se assistir é o Arsenal, para mim é o Chelsea. Os Blues apresentam uma consistência e equilíbrio impressionantes; o time londrino é forte em todos os setores do campo. Não entenda, porém, que o Chelsea joga feio, que faz um gol e depois administra, não é isso que ocorre. Congratulações a Carlo Ancelotti, o treinador italiano transformou a equipe pragmática de Guus Hiddink em um time vencedor, que ataca sem expor, e uma das principais razões disso foi a contrução do meio-campo feita por Ancelotti. Quando técnico do Milan era tratado com uma certa má vontade pela imprensa brasileira, que o considerava retranqueiro; pois é esse mesmo homem que conseguiu fazer funcionar o trio Ballack, Lampard e Deco. O brasileiro naturalizado português foi um pedido de Luiz Felipe Scolari quando este chegou ao Chelsea e depois de alguns maus resultados o gaúcho considerou que não seria possível utilizar os três jogando juntos, Deco perdeu lugar e logo depois se machucou. Ancelotti logo colocou o ex-meia do Barcelona como titular e principal armador da equipe, que agora possui um meio-campo em forma de losango, com Essien na cabeça-de-área e Lampard e Ballack ajudando tanto na marcação quanto na contrução de jogadas, Deco fica mais a frente. Aliado a isso, a grande fase de Didier Drogba ajuda a explicar por que o Chelsea é o líder do campeonato inglês.

As jogadas vistas na maioria dos jogos do Arsenal são realmente dislumbrantes, mas a beleza do futebol não está só em lances bonitos. Futebol é eficiência, é todo um conjunto de fatores que faz uma equipe vencedora. E o Chelsea tem cara de equipe vencedora, pois ninguém consegue aliar uma defesa forte, um meio-campo talentoso e o melhor centroavante do mundo na atualidade de forma tão coesa quanto o time do sul de Londres. Isso fica explícito nos resultados do Arsenal até agora, as duas derrotas que os Gunners sofreram foram para os dois times de Manchester, exatamente os únicos adversários diretos pela briga do título que o time de Arsene Wenger enfrentou. Ou seja, o Arsenal não consegue ser o mesmo time diante de adversários mais fortes (mesmo que tenha merecido melhor sorte nos dois jogos citados, como dissemos aqui).

Dia 29 de novembro tem início a 14ª rodada do Inglesão 2009/10, Chelsea e Arsenal irão se enfrentar e tudo que foi dito aqui será ratificado, ou não. Não seria essa a verdadeira beleza do futebol?

Rodrigo Giordano

“O placar não condiz com o que foi o jogo”, “tal time não mereceu essa derrota” etc… Você com certeza já ouviu essa expressões quando se quer dizer que certo resultado foi injusto. Bem, as injustiças no Campeonato Inglês desta temporada vêm ocorrendo na mesma proporção que os bons jogos, foram vários. O Arsenal começou impressionando com duas goleadas nas duas primeiras rodadas, porém, o encontro contra o Manchester United quebrou a invencibilidade do time londrino… injustamente. Os Gunners foram melhores o jogo inteiro, mas com um pênalti mal marcado a favor do Manchester e com um gol contra de Diaby o placar foi fechado em 2 a 1 para os Red Devils. Os comandados de Arsene Wenger, porém, não esperavam que o raio caísse no mesmo lugar, e pior, contra outro concorrente ao título: o Manchester City. Os Citizens saíram na frente, no começo do segundo tempo Van Persie empatou e o Arsenal foi para cima, quando se mostrava muito próximo da virada tomou o segundo; ainda vieram mais dois para coroar a atuação de Adebayor contra seu ex-time.

Pois bem, a Premier League 2009/10 reservou para sua sexta rodada o embate entre os rivais sortudos da cidade de Manchester, City x United. O melhor jogo do ano até agora começou equilibrado, com Rooney abrindo o placar aos 2 minutos de jogo e com Barry deixando tudo igual 14 minutos depois; os outros cinco gols da partida ficariam guardados para o segundo tempo. Logo no ínicio da etapa complementar Fletcher fez o primeiro de seus dois gols no jogo, Bellamy não o deixou aproveitar tal deleite empatando logo em seguida. É a partir deste momento que o clássico passa a justificar o tema deste post; com o 2 a 2 no placar o Manchester United decidiu que deveria ser ele o vencendor da partida jogada em seu estádio e partiu para cima do seu arquirrival, salvo pelas brilhantes intervenções do arqueiro irlandês Shay Given, principalmente nas cabeçadas de Berbatov. Eis que então, aos 34 minutos do segundo tempo, o árbitro Martin Atkinson (guarde esse nome) marca falta a favor dos vermelhos, que cobrada pelo melhor jogador da partida Ryan Giggs, chega até a cabeça de Fletcher e daí para o gol.

O jogo era sensacional, a vitória do Manchester United merecedíssima. Todavia, o zagueiro mais caro da história do futebol decidiu entregar um gol de graça ao Manchester City, besteira de Rio Ferdinand muito bem aproveitada por Bellamy. E isso ocorreu exatamente no minuto 45 da parte final do cotejo. Para os apreciadores do futebol jogado pra frente, incredulidade era a palavra do momento; o United não merecia aquilo por tudo que fez na partida, estava pagando por erros crassos individuais. Porém se você seguiu meu conselho e guardou o nome do juiz da partida essa é a hora de relembrá-lo. Martin Atkinson por alguma razão injustificável decidiu adicionar 7 minutos além do tempo regulamentar, sendo que 4 destes não foram sinalizados ao quarto árbitro. O resultado? O empate com sabor de vitória azul se transformou em vitória vermelha. O bom e velho Michael Owen saiu do banco para, aos 50 (!) minutos, marcar um gol histórico.

Mark Hughes, técnico do City, disse que seu time foi roubado. Exagero, esse blog prefere ver o árbitro da partida como um baluarte da justiça futebolística. O United não merecia outro resultado senão a vitória e Martin Atkinson, que julgamos ser um grande apreciador do ludopédio, arriscou-se como um justiceiro. O gol poderia ter sido do City, mas não, Atkinson foi recompensado pelos deuses do futebol. Às favas com o tempo de acréscimo justo; você já sabe, com Martin Atkinson em campo a meritocracia está garantida.

Clique nos links abaixo para ver:

os resultados da Premier League

a classificação

Rodrigo Giordano

Rumor has it…

24/06/2009

Tivemos mais que uma semana sem posts; um dos blogueiros não dava notícias há 10 dias, outro foi tomado pela preguiça e o terceiro ficou esperando por eles… Mas estamos de volta.

Ao longo do ano pretendemos dar grande destaque ao futebol internacional. Consideramos que os três campeonatos mais importantes da Europa merecem uma atenção única; ficou decidido então que o Caio falará sobre futebol espanhol, o Felipe sobre futebol italiano e eu sobre futebol inglês. Como as respectivas ligas acabaram há pouco tempo, não resta assunto a não ser as contratações que movem o mercado do futebol nessa época do ano.

Na ilha britânica os negócios andam a passos lentos (é a crise), porém, como é típico dos jornais britânicos, todo dia nos deparamos com inúmeras especulações sobre transferências. Vamos então fazer um apanhado geral do que está acontecendo na Inglaterra.

O Arsenal trouxe Thomas Vermaelen, 23 anos, zagueiro que estava no Ajax; parece que Arsene Wenger vai, como sempre, fazer contratações cirúrgicas e apenas de jovens jogadores. As boas notícias ficam por conta da renovação de contrato de Robin Van Persie e da muito provável permanência de Cesc Fábregas. Continuando em Londres, o Chelsea também não se mexeu muito até agora, de relevante mesmo apenas a contratação do novo técnico Carlo Ancelotti. Daniel Sturridge, 19 anos, atacante do Manchester City está próximo de assinar; Deco e Ricardo Carvalho interessam a Inter de Milão e podem sair. Em Liverpool, as dificuldades financeiras vividas pelo clube não impediram a contratação do lateral-direito Glen Johnson, 24 anos, que veio do Portsmouth e tem se destacado pela seleção inglesa; Mascherano pode estar trocando a terra dos Beatles pela terra de Salvador Dalí, o volante estaria insatisfeito com seu salário e desperta interesse do Barcelona. O Manchester United parece estar acomodado com suas recentes conqusitas e até agora não esboçou reação em relação às saídas de Cristiano Ronaldo e Tevez; existem apenas boatos que ligam o ponta equatoriano Antonio Valencia e o meia-atacante Douglas Costa, do Grêmio, aos diabos vermelhos. Até agora o time mais ativo da temporada é o Manchester City que contratou Garreth Barry, 28 anos, meio-campista que era do Aston Villa e Roque Santa Cruz, atacante de 27 anos que estava no Blackburn; o time de Robinho promete ir atrás de mais reforços para esta temporada. O Hull City anunciou hoje interesse em Michael Owen, atacante que se desligou do Newcastle após o rebaixamento da equipe na temporada passada; será que esse ano as lesões permitirão que ele tenha uma sequencia de jogos?

A Premier League começa no dia 15 de agosto; destaque para o jogo entre Liverpool e Tottenham. Para saber mais, vale a pena visitar o site de esportes da BBC do Reino Unido (ver links).

Rodrigo Giordano