Eu poderia muito bem usar meu último post para me gabar, dizendo que o ocorrido com os clubes brasileiros na noite de ontem não me surpreendia. No entanto, ao ler tais mal traçadas linhas, você há de perceber que a ideia geral do post está na crítica à imprensa por ser desinformada em relação aos times estrangeiros que disputam a Libertadores (no caso, referia-me aos argentinos, mas o mesmo vale para os outros), o que fazia com que muitos analistas considerassem impossível uma desclassificação precoce das equipes tupiniquins. Pois bem, eu achava possível, não provável.

O time do Inter é melhor do que o do Peñarol, o Cruzeiro é melhor que o Once Caldas, o Grêmio é pior que a Universidad Católica e o Fluminense é pior que o Libertad; o time carioca, aliás, é um caso a parte, um guerreiro especialista em vencer batalhas e nunca ganhar guerras (mas se a torcida gosta…) O que estou querendo dizer é que tais eliminações aconteceram porque o futebol é assim, um jogador é expulso, um técnico mexe mal, um goleiro falha… É claro que diminuir a soberba fará bem às equipes brasileiras na competição do ano seguinte, porém, não foi isso que as derrotou.

É muito provável que até o fim da semana (ou até a próxima Libertadores), os “especialistas” discutam com esmero o que essas derrotas significam para o futebol brasileiro, proponham milhares de soluções e encontrem tantos quantos culpados, ou até mesmo coloquem a Libertadores no pedestal, lembrando que “isso aqui não é Estadual, não, amigo!”. Como brilhantemente afirmou o Caio Maia em seu post no blog da Trivela, no atual jornalismo esportivo brasileiro “o meio termo morreu”.

Pitacos:

– Sério mesmo que o Muricy acha que o time vai melhorar toda vez que ele colocar o Bruno Aguiar no lugar do Zé Eduardo?

– Nas semifinais do paulistinha, Carpegiani reclamou do intervalo do jogo (parece que ele estava esperando o primeiro jogo da história com 90 minutos corridos) e Tite justificou a má partida de sua equipe com o fato de que o time adversário esteve grande parte da partida com um jogador a menos (é lógico, a treinabilidade corintiana de todo dia é feita com 11 contra 11).

– Terça-feira, programa Cartão Verde, TV Cultura, convidado: Joel Santana.

Entrevistador: Joel, o Cruzeiro é o melhor time do Brasil?

Joel: O que o Cruzeiro ganhou até agora?

É…

Rodrigo Giordano

Várias vitórias do Boca Juniors e do River Plate sobre times brasileiros no final dos anos 90 e começo dos anos 00 fizeram com que nascesse uma das maiores falácias sobre o futebol argentino atual, a de que apenas esses dois times prestam. A imprensa esportiva brasileira, muito mal informada, passou a desdenhar os torneios continentais em que ambos não participavam, dizendo que as equipes brasileiras que disputavam tais competições teriam um caminho fácil pela frente. Nem mesmo as crises pelas quais Boca e River vêm enfrentando desde a metade da década atenuou tal situação; foi preciso o Estudiantes vencer o Cruzeiro em pleno Mineirão, na final da Libertadores de 2009, para as equipes argentinas voltarem a ser temidas. Mas o Estudiantes tinha Verón, e a mídia brasileira tratou de rotular o time de La Plata como um time razoável com um jogador brilhante, ignorando as ótimas atuações de Andújar, Angelleri e Boselli.

O início da Taça Libertadores de 2011 e o torneio sul-americano sub-20 possuem ótimos exemplos para mostrarmos como a suposta superioridade do atual futebol brasileiro sobre o atual futebol argentino é uma mentira. Fluminense x Argentinos Juniors: o atual campeão brasileiro era dado como favorito absoluto pela mídia tupiniquim, afinal, jogava em casa e o adversário argentino não vestia azul e amarelo, nem branco e vermelho, tampouco tinha um craque conhecido. Talvez os “especialistas” não soubessem que o Argentino Juniors havia vencido o Torneiro Clausura 2009-10, ou seja, também havia sido campeão nacional no mesmo ano que o tricolor carioca (apesar do Clausura terminar em junho). O argumento que tenta pormenorizar a “evidente” superioridade de nosso futebol sobre o deles é ainda pior, pois vem carregado de preconceito: “time argentino sempre complica, muita catimba, duas linhas de quatro, entradas mais fortes”, ou seja, um time argentino nunca vence um brasileiro porque é simplesmente melhor técnica ou taticamente. Pois bem, o Argentino Juniors iniciou a partida no Engenhão num 3-4-3, poucas foram as jogadas mais ríspidas e a equipe de Pedro Troglio não se limitou aos contra-ataques apenas, pelo contrário, por várias vezes esteve melhor na partida do que o Flu, num jogo marcado pelo equilíbrio; o meio-campista Mercier e o veloz Niell jogariam fácil numa equipe que estreia na Libertadores com Diguinho e Williams no time titular, Salcedo é um centroavante que anda em falta no futebol brasileiro e Oberman poderia ser mais um desses camisas 10 argentinos que vêm se multiplicando em nossos campos. Em Brasil x Argentina, pelo torneio sub-20, o time brasileiro era evidentemente mais forte do que a seleção albiceleste, porém, os garotos brasileiros, tomados pelo preconceito que já atingiu o senso comum, acharam que tinham que mostrar aos argentinos que também sabiam bater. Resultado: Juan expulso logo no começo do jogo por dar um soco no atacante adversário dentro da área, 2 a 1 Argentina.

Niell, 1,62m, deixou dois de cabeça no Flu...

É claro que o campeonato brasileiro é mais forte do que o campeonato argentino, mas convenhamos, o Brasil vive uma época muito mais próspera economicamente e seus clubes possuem mais capacidade de investimento; no entanto, se isso constitui uma superioridade razoável, não é tanto quanto que se propagandeia na mídia nacional, e isso fica explícito por uma simples conta de proporcionalidade: Brasil e Argentina possuem um número próximo de jogadores de sucesso nas principais ligas da Europa, mas nós temos uma população de 180 milhões de habitantes, enquanto eles têm 40 milhões. O que torna ainda mais contraditória a visão de que nós temos times técnicos e eles equipes batalhadoras é a importação de meias armadores: Dário Conca e Walter Montillo foram os melhores jogadores do campeonato do ano passado, e ainda há D’Alessandro e Botinelli. Portanto, desinformação e preconceito, além de uma grande vontade de parte da mídia em exacerbar a rivalidade entre ambos os países, acabaram por formar uma visão comum no público, nas comissões técnicas e até nos jogadores, da falta de técnica dos jogadores argentinos que atuam no futebol local, sempre em contrariedade ao “futebol muleque-ziriguidum-chuteira rosa-moicano-pedalada-samba” do Brasil. Nem mesmo os altos graus de miopia que acometiam a visão de Nelson Rodrigues o impediriam de enxergar este novo fenômeno do futebol brasileiro: um vira-lata metido a cachorro de burguês.

Rodrigo Giordano

Jogando para perder

25/08/2010

O leitor com certeza já ouviu a expressão “futebol de resultado”. Muito utilizada para caracterizar o estilo de jogo da seleção de Dunga na última Copa e de todas as outras equipes que jogam recuadas, sem se arriscar demasiadamente, na espera por um contrataque. Pois bem, a dita cuja muito me intriga, afinal, qual o time que não entra em campo pensando apenas na vitória?

Após o título mundial espanhol, os títulos do Santos e o amistoso de estreia de Mano Menezes na seleção brasileira, grande parte da mídia tirou da cartola a expressão supracitada pra bater em todos os técnicos e times que não jogam um futebol ofensivo, de muitos passes e dribles, que no Brasil também atende pelo nome de “futebol muleque, alegre, isquindolelê”. Utilizemos os “meninos da Vila” como exemplo, então; 99,9% da mídia vangloriou Dorival Júnior por trazer o futebol ofensivo de volta e apontou o dedo indicador para os demais treinadores, como se todos tivessem um Neymar, um Ganso e um Robinho em seus times.

Mas voltemos a expressão que fez com que essas mal “tecladas” linhas emergissem à blogosfera. A sentença é típica de um jornalismo preguiçoso, que até tem consciência que está dizendo algo incoerente, porém, como já está tão estabelecido e o público sabe o que quer dizer, não há preocupação em corrigi-la. Todo futebol é de resultado, seja o bonito ou o feio, seja o ofensivo ou o defensivo. Penso em dois exemplos interessantes: se Dorival Júnior tivesse no Santos os defensores Thiago Silva, John Terry e Lúcio, e os atacantes Afonso Alves, Josiel e Gioino, você acha que ele deveria manter a mesma forma com que o Santos joga? É claro que não. Dorival arma seu time dessa maneira por achar que esta é a melhor forma de vencer. E se a seleção de Mano Menezes tomasse de 3 a 0 da Argentina na Copa América e ele saísse dizendo que “pelo menos jogamos bonito”, seria o bastante para você?

É claro que casos como a seleção de Dunga são realmente incompreensíveis, já que o treinador tinha opções muito melhores das que levou para a África do Sul, mas não dá para querer que o Ceará jogue como a Espanha, nem acusar o Atlético-GO de entrar para arrancar um empate. Queriam o que? Que jogasse ofensivamente mesmo tomando de 5 a 0?

Sim, é chato assistir um jogo em que um dos times não se arrisca no ataque e só se utiliza dos erros de seu adversário, no entanto, o papel do jornalista é tentar entender porque tal equipe joga dessa maneira, e não o de dizer que deveria jogar de tal jeito ou de outro. Isso para lembrar que “futebol de resultado” é uma expressão burra, mas se for utilizá-la coloque entre aspas.

Rodrigo Giordano

Peroba neles

18/04/2010

A sociedade espera, mesmo que seja constantemente hipócrita, uma postura honesta e ética por parte das categorias trabalhistas que a compõem.  Cobra-se que o médico desempenhe suas funções zelando por seus pacientes, os professores tenham comprometimento com os alunos e, principalmente, que os políticos não se corrompam. Uma categoria profissional, no entanto, parece ser imune às cobranças por ética, tanto por boa parte da imprensa quanto da sociedade: os futebolistas.

Uma prerrogativa básica dos jogadores de futebol é a de que os fins justificam os meios. É a famosa “Lei de Gérson” – conceito que alude ao meia campeão do mundo em 1970, que em um comercial de tabaco exaltava aqueles que “gostavam de sair vantagem em tudo”- , seguida à risca pela classe.  Atirar-se ao chão como um artista circense, simular dores incríveis, marcar gols usando as mãos: são atos corriqueiros, tão arraigados na cultura dos boleiros, que parecem não suscitar objeções, além de serem endossados pelos aplausos das torcidas beneficiadas. As atitudes dos torcedores são uma evidência de que o futebol é, de certo modo, um reflexo da própria sociedade. A intenção dos atletas é clara: ludibriar os dois olhos do árbitro; a vergonha, inexistente: não há qualquer temor de se exporem ao ridículo ao serem flagrados pelas câmera de TV e os milhões de olhos dos telespectadores.

A cobrança toda acaba por recair no árbitro – figura pequena dentro do futebol milionário – que passa a ter a função de interpretar simulações, e não marcar simplismente aquilo que vê. Quando um gol é marcado com as mãos, por exemplo,  as acusações são focadas no árbitro que valida o gol, ignorando o espírito vigarista do atleta infrator que, muitas vezes, é taxado de “esperto”.

É evidente que tais atitudes não são exclusividade dos jogadores brasileiros- o escandaloso gol de mão de Henry nas eliminatórias, que classificou a França à Copa do Mundo de 2010 vem à cabeça-, embora sejam características frequentes nos esportistas nacionais.

No ano passado, o jogador brasileiro naturalizado croata, Eduardo Silva, atuando pelo Arsenal,  simulou escanadalosamente um pênalti- validado pelo árbitro- em partida da Champions League. O atleta foi punido com uma suspensão de dois jogos. O maior castigo, no entanto, veio das arquibancadas: Eduardo foi vaiado por sua própria torcida a cada vez que pegava na bola, em jogo posterior, em razão de sua desonestidade. Alguém consegue imaginar atitude semelhante em terras tupiniquins? Em caso semelhante, no máximo, o árbitro que  marcou o pênalti seria suspenso por algumas partidas.

Na ausência de atitudes enérgicas por parte das esferas superiores do esporte, a imprensa nativa deveria se encarregar de execrar as desonestidades dos jogadores, o que, evidentemente, não ocorre. Dificilmente se vê na imprensa alguma discussão em relação à postura mesquinha dos atletas; não se mexe nesta ferida, talvez pelo fato da própria imprensa estar em débito com a lisura. Paradoxalmente, discussões infindáveis sobre arbitragem abundam nos programas esportivos.

A título de curiosidade, segue o link do Youtube com o comercial que deu origem à famigerada “Lei de Gérson”, além da constatação de que há muito tempo publicitários e jogadores de futebol nos brindam com propagandas ridículas.

Caio Hornstein

A negação da frase que serve como título para este post foi muito utilizada neste ano que vai se despedindo; jogadores, técnicos e especialistas não sabendo como explicar resultados improvavéis, apelavam para a dita cuja. Compreensível, já que o campeonato brasileiro de 2009 foi o campeonato do inexplicável. Foram muitos os que desistiram de encontrar razões (com bom senso, é claro, afinal, foram inúmeras as teorias da conspiração) para a queda do Palmeiras, a recuperação do Fluminense, a ascensão do Flamengo, entre outros. Sendo assim, “o futebol não é uma ciência exata” foi ouvido a cada zebra, talvez por considerarem que “o futebol é uma caixinha de surpresas” seria muito clichê.

Abaixo listo alguns “postulados do Brasileirão”, fatores que desde que o campeonato passou a ser em pontos corridos são considerados essenciais para o sucesso de uma equipe, que foram transformados pelo certame deste ano.

O planejamento, o projeto

Quando V(W)anderlei(y) Luxemburgo conquistou o primeiro campeonato brasileiro de pontos corridos com o Cruzeiro em 2003, não se cansou de repetir que o resultado viera graças ao projeto do time mineiro; ele fez o mesmo com o Santos campeão de 2004 e, até hoje, logo que assume um novo clube diz que aceitou a proposta baseada no projeto de tal equipe. Por muito tempo tido como o melhor técnico do Brasil pela maioria da imprensa, esta engoliu a história do atual treinador do Atlético-MG como um mandamento: “Só é campeão quem tem um planejamento e um projeto”. Mas o que seriam essas duas coisas? Aí encontramos mais uma variedade de lugares comuns regorgitados pela mídia esportiva tupiniquim: Estrutura (centro de treinamento adequado, centro de recuperação física de jogadores, psicólogos, diretores de futebol etc.), pré-temporada, manutenção de grande parte do elenco, e claro, também do técnico. Pois bem, o campeão Flamengo conseguiu trangredir todas essas afirmações; o clube possui um centro de treinamento precário, viveu intenso conflito político com a licença de seu presidente por motivos de saúde, fez inúmeras contratações ao longo do campeonato e mudou de treinador. Não obstante, o segundo e terceiro colocados, Inter e São Paulo, que se consideram os clubes mais ultra-mega-super modernos da face da Terra, também presenciaram mudanças de seus comandantes ao longo do certame. Ah, não poderíamos esquecer de ressaltar a campanha do rei do planejamento professor W(V)anderley(i) Luxemburgo, que depois de demitido do Palmeiras, passou o torneio inteiro prometendo levar o Santos à Libertadores e acabou num honroso 12º lugar. É o fim do planejamento como o conhecíamos.

Vencer os jogos em casa

“Fazer a lição de casa”, é isso que técnicos e jogadores não cansaram de repetir como indispensável para o sucesso de suas equipes. O Grêmio, então, foi o aluno perfeito: em 19 jogos, 14 vitórias e 5 empates. No entanto, não contava que fora de seus domínios tivesse uma campanha de rebaixado ao vencer apenas uma partida, empatar 5 e perder 13. E assim caiu mais um postulado do Brasileirão.

A regularidade

Os especialistas não têm dúvida, o campeonato de pontos corridos premia a regularidade. O caso é que esta edição do Brasileiro premiou a última regularidade; o Flamengo passou o campeonato inteiro no meio da tabela, após um série de 10 jogos sem derrota, a equipe carioca alcançou o grupo da frente mas só chegou à liderança na penúltima rodada. O Palmeiras foi a melhor equipe do campeoanto até a rodada 34, quando deixou a liderança após 20 jogos, ou seja, os maus resultados das últimas 10 partidas da equipe de Muricy Ramalho jogaram fora a regularidade que a equipe demonstrou nas outras 18. O inverso ocorreu com o Fluminense; portanto, não se trata tanto de ser regular ao longo do campeonato e sim ter uma boa sequência de vitórias no momento certo.

Com o que foi exposto acima, não pretendo desmerecer o campeoanto de pontos corridos nem a vitória flamenguista, mas apenas demonstrar que certos discursos devem ser mudados, pois as circunstâncias de determinado campeonato fazem com que seja decidido por diferentes razões. O campeonato de 2003 foi vencido pela equipe que tinha indiscutivelmente o melhor plantel da época, 6 anos depois não temos uma situação semelhante, portanto, é errôneo pensar que o que levou o Cruzeiro a ser campeão naquele ano é o mesmo que levou o Flamengo a ser campeão neste.

Terminado o campeonato, origina-se o momento de especulações e parte da imprensa não se cansa de criar suas verdades, a frase da moda agora é: “fulano tem tudo acertado com time X, só falta o time Y liberar”. SÓ?! As equipes também não mudam muito, é só dar uma olhada no noticiário e ver que o Corinthians continua achando que pode ganhar a Libertadores com grandes nomes, o São Paulo se considera tão bem estruturado que contrata jogadores fracos tecnicamente e mentalmente achando que pode consertá-los, o Inter insiste em posar de clube mais moderno do Brasil e contrata técnico estrangeiro, o Palmeiras diz que no ano que vem tudo vai ser diferente, o Grêmio faz força descomunal para manter um ídolo portenho. O futebol brasileiro tenta ser uma ciência exata.

Rodrigo Giordano

O que eles veem

11/09/2009

No programa Bate-Bola da ESPN Brasil, na terça-feira (8), o apresentador João Palomino e os comentaristas Paulo Vinícius Coelho e Mauro Cézar Pereira discutiam sobra a provável lista de convocados da Seleção de Dunga para a Copa do Mundo do ano vindouro; analisaram posição por posição os provavéis nomes que representarão o Brasil na África. Quando a posição de atacante foi colocada em pauta Adriano tornou-se o principal assunto; discutiam se o atacante do Flamengo está com lugar garantido na Copa, PVC acha que há grandes chances, do que não discordo (infelizmente), mas o que realmente me chamou atanção é que o comentarista considerava a convocação de Adriano no lugar de Pato legítima, apesar de não concordar com ela; seu principal argumento era que o atacante está vivendo uma boa fase. Palomino concordou, Mauro Cezar calou-se e eu me assustei, mas o que me faria vir até aqui ocorreu no dia seguinte, em outro programa esportivo vespertino, o Arena SPORTV, em que Cléber Machado discutia com seus convidados exatamente o mesmo assunto já citado acima. Todos concordavam com a convocação de Adriano em razão da fase que ele vive. Ai eu parei.

Restou-me perguntar a mim mesmo que campeonato que aqueles caras estavam assistindo em que o Adriano estava jogando tanto! Tudo bem, ele tem 10 gols no Brasileirão, é vice-artilheiro, mas pra mim isso não quer dizer muita coisa, vide quem está a frente dele nesta briga: os fraquíssimos Jonas, Val Baiano e Roger, e o ótimo Marcelinho Paraíba (apesar de já estar em idade avançada). Quando Cuca era o técnico da equipe rubronegra, Adriano era um poste e só dependia de cruzamentos e pênaltis para fazer gols, com Andrade tem saído mais da área mas até agora não fez uma grande partida pelo time carioca. Dunga, o cara que chegou barrando Ronaldinho Gaúcho e Kaká se entrega à “grife” Adriano e, pior, com conssentimento de parte de nossa imprensa esportiva.

Imprensa esportiva esta que transformou o último Argentina x Brasil em uma partida com ares de final de Copa do Mundo, o que obviamente não era, afinal, o praticamente classificado Brasil ainda teria jogos como Chile, Bolivia e Venezuela para ratificar sua ida à Copa. À mídia esportiva tupiniquim parecia mais interessante inventar uma importância para este jogo, como bem observou o ótimo Leonardo Bertozzi (que também comenta jogos na ESPN) no blog da Trivela.

Não pretendo aqui explicitar como os canais e comentaristas aqui citados são péssimos e não merecem estar onde estão, pelo contrário considero que a ESPN Brasil possui os melhores profissonais do jornalismo esportivo brasileiro, o SPORTV também tem jornalistas muito competentes mas que por razões evidentes (o canal pertence à Globo) não podem dizer exatamente o que pensam. O que critico aqui é a posição destes veículos nos episódios aqui discutidos; os jovens da mídia esportiva brasileira se curvam ao Imperador e dependemos de veteranos como José Trajano, Juca Kfouri, Tostão e Fernando Calazans para servirem como resistência.

Rodrigo Giordano