Explica-se o título: Caio e Rodrigo foram ao Canindé no dia 14 de agosto para ver Portuguesa x Vasco, o primeiro ficou na torcida lusitana, enquanto o segundo acompanhou tudo da torcida cruzmaltina. Aqui eles contam cada um sua versão para o clássico dos times portugueses do Brasil.

O LADO DA PORTUGUESA

Chego ao Canindé e não tenho dificuldades para comprar ingressos. Toda a atmosfera que cerca o Canindé me faz lembrar um estádio do interior. A torcida da Portuguesa anda desconfiada com o time, vindo de 3 derrotas seguidas, mas mesmo assim comparece em bom número à estréia de seu novo técnico, Renê Simões. Mesmo assim, em menor número em relação à torcida do Vasco, como já era de se esperar. A torcida rubroverde demonstra diferenças em relação aos grandes times de massa. Obviamente é menor e aparenta ser uma torcida envelhecida, embora ainda se veja muitos pais levando os pequenos filhos vestidos da cabeça aos pés com o uniforme da Portuguesa, de forma a incentivá-los a herdarem a sua paixão. Justamente pelo fato de ser uma torcida “mais vivida”, talvez não seja tão efusiva e vibrante, mas sem dúvida é doentiamente apaixonada, verdadeiramente fiel. Se o time hoje em dia tem poucas perspectivas de ser campeão em algum torneio relevante, a torcida parece carregar uma esperança e fazer uma cobrança digna de torcedores de um time campeão. Não ouse dizer a um torcedor da Lusa que ela é time pequeno.

Análises à parte, falemos do jogo. A Portuguesa começou o jogo bem, logo aos 4 minutos abriu o placar com Dinei após boa jogada de Fellype Gabriel (que viria a se machucar logo em seguida, sendo substituído). Após o gol a Lusa permaneceu melhor, enquanto o Vasco parecia não demonstrar reação. Aos poucos a equipe cruzmaltina foi equilibrando o jogo até passar a ter domínio. Apesar desta superioridade vascaína, foi a Portuguesa que poderia ter ampliado o placar no primeiro tempo em finalização de letra de Héverton que exigiu grande defesa do goleiro Fernando Prass.

O segundo tempo começou como o primeiro: a Portuguesa pressionando e um Vasco incapaz de reagir. Porém, aos 11 minutos, Carlos Alberto cobrou falta pela direita e colocou a bola na cabeça de Gian, que empatou a partida. Explosão da torcida Vascaína, que teve mais um motivo para comemorar segundos após o gol: Ygor, da Portuguesa, foi expulso após receber o segundo cartão amarelo. Minutos depois Ernani, do Vasco, também recebeu segundo amarelo e deixou ambas equipes em igualdade numérica.

Após as expulsões a Portuguesa voltou a oferecer perigo, desperdiçando boas oportunidades em jogadas de Edno e Preto. Mesmo não jogando um grande futebol, o Vasco dançou o vira aos  37 minutos, quando Alex Teixeira fez boa jogada pela direita, tocou para Elton, que dentro da área cruzou para Adriano empurrar para as redes.

A Portuguesa ainda tentou mostrar alguma reação, mas parou na retranca vascaína. Nos acréscimos, Enrico ainda sofreu pênalti de Preto, que acabou expulso; Elton cobrou e marcou o terceiro gol vascaíno, aos 49 minutos. Fim de jogo no Canindé. Portuguesa 1 x Vasco 3. Placar que de modo algum reflete o que foi a partida, embora não se possa dizer que foi injusto.

De um lado, a arquibancada visitante repleta, festeja mais uma vitória de seu time com a certeza de que a série A no ano de 2010 já é uma realidade. Do outro, a torcida da Lusa sai abatida e revoltada, vendo a quarta derrota seguida de sua equipe na competição. Ofensas aos jogadores são proferidas a todos pulmões, sendo o atacante Edno o principal alvo dos ataques .

Caio Hornstein

O LADO VASCAÍNO

Imagine um típico filme de romance, com mocinho, mocinha e vilão. Logo no começo algo dá errado a fim de afastar o óbvio enlace entre os protagonistas de bom coração. O mocinho, então, passará o resto da trama buscando encontrar uma solução que acarrete em um final feliz. Pois foi essa sensação que ficou para quem encarou a partida pelo lado da torcida do Vasco da Gama. Como manda o roteiro, o vilão rubroverde logo tratou de dar um golpe no time carioca, Dinei abriu o placar no Canindé. A torcida vascaína, porém, me parecia já ter assistido esse filme e entoou seus gritos para fazer com que seus heróis não desistissem: “Vamos virar Vasco!”, “O Vasco é o time da virada…”.

A alcunha que a equipe carrega nunca foi tão sugestiva para seus jogadores, era o momento de buscar o melhor caminho até o gol; e este parecia bem navegável, o lado esquerdo da equipe paulista parecia um imenso oceano esperando a chegada de alguém. O problema é que o volante Mateus nunca havia navegado por aqueles mares antes, estava improvisado na lateral-direita vascaína.

O segundo tempo veio e foram necessários 11 minutos de sofrimento para o zagueiro Gian igualar a partida; a partir daí o certame mais se pareceu com uma batalha, Ygor, volante da Lusa, foi expulso. Explosão vascaína, mas por pouco tempo, Ernani também foi mandado para fora e as equipes ficaram iguais em número de guerreiros, digo, de atletas. Um certa pressão lusitana gerou um anticlímax na torcida alvinegra, no entanto, tal sentimento se esvaiu aos 37 minutos quando um rapaz chamado Adriano tratou de mudar o rumo das caravelas cruzmaltinas. O bastião da justiça dentro de campo André Luiz de Freitas Castro ainda expulsou Tiago Gomes e Preto, acabando com as chances do vilão rubroverde. Este, já moribundo, ainda teve que ver Elton, que já tinha entendido que o caminho mais fácil pra salvar a mocinha era contornando a África, colocar ponto final na partida.

Destarte, a torcida vascaína deixou o Canindé como se fosse sua própria casa e a torcida da Portuguesa entendeu que enfrentar um adversário mocinho e descobridor não é tarefa das mais fáceis.

Rodrigo Giordano