Pode parecer oportunista criticar o São Paulo após duas derrotas seguidas no Campeonato Brasileiro, no entanto, o post que segue é muito mais uma análise do que fez a equipe do Morumbi chegar a situação em que se encontra do que uma malhação dos atuais técnico e elenco.

O termo “moderno” no futebol brasileiro veio à tona em 2005 após o título mundial tricolor; a diretoria da época (mesma de hoje), tendo como porta-vozes Marco Aurélio Cunha, Leco e o presidente Juvenal Juvêncio passou a vender a imagem de um clube diferenciado devido sua estrutura e gestão. A “ditadura da estrutura” teve na mídia seu principal apoio; parte da imprensa ainda julga o São Paulo um clube favorito a títulos simplesmente por seu CT, pelo Reffis e porque continuam acreditando nos 3 dirigentes supracitados. Todavia, o campeonato do ano passado ajudou a desmistificar tal situação, afinal, o Flamengo era (ainda é) a clara antítese do São Paulo quanto a estrutura, planejamento etc.

Pior do que parte da imprensa ainda acreditar que o tricampeão brasileiro possui uma organização sui generis no Brasil é o próprio clube fazê-lo. Muricy foi demitido porque não conseguia ganhar a Libertadores e por ser constatado que havia um desgaste entre técnico e elenco; Ricardo Gomes, que assumiu abalizado por falar francês e se vestir bem, também não conseguiu vencer o torneio continental e foi mandado embora após começar mal no Brasileirão; veio então o glorioso Sérgio Baresi, baluarte da utilização dos jovens de Cotia. A demissão de Muricy Ramalho até faz certo sentido já que o técnico estava há 3 anos no clube, a contratação de Ricardo Gomes, porém, é incompreensível e este pode ser considerado o momento exato em que a soberba tomou conta das salas diretivas do Morumbi: o técnico era uma estranha aposta para um equipe que vinha de três títulos brasileiros seguidos, já que nunca passou de campanhas razoáveis pelos clubes que dirigiu. A explicação vai além de seus atributos já citados, para a diretoria sãopaulina pouco importava quem seria o técnico, afinal, este dirigiria um clube moderno, diferenciado e bem estruturado, ou seja, bastava escalar o time. Um pouco antes disso já se iniciara uma leva de contratações obscuras: Fábio Santos, Carlos Alberto e Adriano chegaram com famas de encrenqueiros que seriam “curados” pela übber-estrutura tricolor. Não deu certo e, ainda por cima, piorou. Os três jogadores citados tinham algum talento técnico pelo menos (dois deles, na verdade), mas no início desta temporada o São Paulo passou a achar que também poderia tornar jogadores medíocres em brilhantes: André Luís, Xandão, Léo Lima, Fernandinho, Marcelinho Paraíba etc.

Pois bem, a briga de Neymar com Dorival Júnior foi o maior presente que o clube poderia ter recebido, o melhor técnico do ano no Brasil estava disponível. Mas não. As regras da modernidade postulam que “não demitirás um treinador, mesmo que sua mediocridade fique comprovada, durante um torneio”. E Dorival foi para o Atlético Mineiro. E provavelmente Baresi não vai aguentar mais duas derrotas. E o Marco Aurélio Cunha vai dar alguma declaração engraçadinha fazendo troça do Corinthians. Mas a torcida merece, afinal, ainda aplaudem o Dagoberto.

Pitacos:

– Logo após seu título mundial, o Inter entrou na mesma moda da modernidade. Ao ver que perderia mais uma Libertadores, trocou de técnico nas quartas de final e foi campeão.

– Cansei dos “jornalistas de guia”, aqueles que leem um guia do brasileirão um dia antes da partida e analisam o comportamento tático das equipes baseado nas posições dos jogadores e não em suas funções em campo. Não aguento mais ouvir que o Palmeiras joga com 4 volantes, é só assistir ao cotejo para perceber o 4-2-3-1 com Marcos Assunção e Edinho de volantes, Tinga pela direita, Márcio Araújo aberto pela esquerda e Valdívia no meio.

Rodrigo Giordano

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Foram duas chances preciosas para o líder Palmeiras disparar, jogos contra Avaí e Náutico. Pela lógica, pelo menos 4 pontos o líder conquistaria. Porém, à base de muito suor, o time buscou o empate contra o Avaí para marcar um pontinho. Contra o Náutico a equipe passou longe de marcar pontos, foi um 3 a 0 categórico para o Timbu, que respira no campeonato com a força de seu estádio.

Hoje, faltando 9 rodadas para o término do Brasileirão, o Palmeiras poderia ter 10 pontos de vantagem para o segundo colocado e a única dúvida seria em que rodada a equipe paulista ergueria a taça. Os concorrentes têm colaborado para um título antecipado, São Paulo, Internacional, Atlético Mineiro e Goiás não conseguem encaixar uma seqüência de vitórias. O Tricolor teve uma brilhante ascensão no campeonato, mas pecou na hora de assumir a liderança.  O Internacional teve uma queda brusca no 2º turno que culminou com a queda do técnico Tite. A escolha do substituto foi contestável, Mário Sérgio tem um histórico recente muito ruim e seu nome não inspira confiança para uma reação do Colorado. Atlético Mineiro e Goiás não demonstraram, até agora, a regularidade necessária para a conquista do título.

Considerando que em 9 rodadas há 27 pontos em disputa, a vantagem de 5 pontos do Palmeiras não é muito significativa. Outro fator que anima São Paulo e Inter, principais perseguidores, é que o plantel palmeirense dá sinais de fraqueza e a dependência de Diego Souza, melhor jogador do campeonato brasileiro, é evidenciada pelos números: Em 4 jogos sem o meia o Palmeiras não conseguiu nenhuma vitória.

A próxima rodada pode ser decisiva, São Paulo e Palmeiras têm jogos complicados em casa contra Atlético Mineiro e Flamengo, respectivamente. Pela atual fase do rubro-negro, a tarefa do Verdão é um pouco mais indigesta. Mas se a vantagem chegar a 7 pontos, a 8 rodadas do fim,  a torcida palmeirense pode começar a contar os dias para comemorar o seu 5º título brasileiro. Porém, se cair para 3 a diferença entre os paulistas, o favoritismo pode pular o muro e a soberania são-paulina pode se manter.

Kim Paiva (colaborador)

É, Muriçoca

24/06/2009

Parecia reprise. O São Paulo fecha um primeiro semestre horrível com a eliminação na Copa Libertadores da América. Assim foi em 2006, 2007 e 2008. Mas em 2009 o fim foi diferente. Acabou com a demissão de Muricy Ramalho do comando tricolor.

O mesmo Muricy campeão brasileiro nos mesmos anos de 2006, 2007 e 2008.

Mas por que ele foi demitido?

Preferimos acreditar que a diretoria tricolor não teve a empáfia de demiti-lo só porque não conquistou a libertadores.

Evidentemente algo de errado acontecia no São Paulo. O grupo, e o próprio Muricy pareciam abalados. As cativas do morumbi aclamavam por sua queda. E JJ não aguentou, demitiu seu treinador no meio da temporada, como qualquer outro clube brasileiro faz após uma sequência de maus resultados. Justo o São Paulo, que alega ser o Bacelona, o Liverpool brasileiro.

Talvez a melhor opção seria continuar com muriçoca até dezembro e, ai então, demiti-lo, podendo até acabar o ano com o teracampeonato brasileiro.

Agora a incógnita Ricardo Gomes assume em seu lugar, e, apesar da aparência de tampão, pode decidir a vida do São Paulo no ano vindouro. Entenda-se, sua ida à libertadores 2010.

E os gritos de “é, Muricy” ainda ecoam nas arquibancadas.

Felipe Blumen