Curtas

12/01/2010

Limpa

A camisa do Racing nesta temporada não terá patrocínio graças a uma das mais interessantes estratégias de marketing que eu vi no futebol nos últimos tempos: o Banco Hipotecario Nacional, novo patrocionador, decidiu que não irá estampar seu logo no manto do clube de Avellaneda. O slogan da campanha diz tudo: “Le devolvemos la camiseta al hincha”. Com isso, o patrocinador consegue uma maior aproximação dos torcedores que passam a ver o acordo como algo benéfico para o clube. Uma aula para os clubes brasileiros que estão se tornando especialistas em transformarem seus uniformes em outdoors ambulantes. O pior é que o uniforme não ficou muito bonito, afinal, a nova fornecedora de material do Racing é a Olympikus, que consegue enfeiar qualquer uniforme que seja; se bem que, ao olhar a foto e pensar que no meio da tradicional camisa do clube argentino poderia ter um enorme “STB – semp toshiba” você acaba relevando.
Para entender melhor o acordo entre Racing e o banco, visite: http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=15229
Para mais notícias sobre uniformes de clubes vale a pena ir ao blog Minhas Camisas

Copinha

Grandes paulistanos com 100% de aproveitamento, decepção gaúcha, surpresas e muita, muita chuva. Essas são as palavras-chave para resumir a Copa São Paulo de futebol júnior de 2010. O São Paulo não sofreu nem um gol sequer e ainda teve como destaque o atacante Lucas Gaúcho, autor de 5 gols; os tricolores devem ficar espertos porém, com uma campanha parecida no ano passado não conseguiram alcançar a grande final, sendo eliminados pelo Atlético-PR nas semis. O Corinthians também ganhou seus 3 jogos mas demonstrou não ter uma defesa tão segura, destaque para a dupla de meias Jádson e William e para o já conhecido lateral-esquerdo Dodô. O Palmeiras, parece, finalmente entrou na Copinha com um time digno de levar o título do principal torneio de juniores para o Palestra Itália, o time é muito forte, com destaque para as trocas de lado entre os laterais Luís Filpe e Gabriel e para o habilidoso meia Gilsinho.

Inter e Grêmio chegaram como grandes favoritos pela tradição que possuem em revelar grandes jogadores mas ficaram pela primeira fase, seus algozes acabaram por se mostrarem as grandes surpresas do torneio, Inter de Limeira e Confiança, respectivamente. Vale ainda ressaltar o time de Roque Júnior, o Primeira Camisa de São José dos Campos, que mesmo com os temporais e com o gramado sintético de São Bernardo encharcado, conseguiu ficar em primeiro do grupo que tinha Fluminense e os donos da casa. Para uma cobertura completa da Copa São Paulo acesse: olheiros.net.

Transferências

Já farto das especulações? Bem, elas vão diminuíndo com a chegada dos modorrentos estaduais. O momento agora é de avaliação das contratações já feitas pelas equipes; os programas esportivos vespertinos precisam encher aquelas duas horas com alguma coisa. Impressiona, no entanto, como o torcedor se deixa enganar pela quantidade de aquisições feitas pela sua equipe: em recente enquete, o site da ESPN Brasil perguntou qual clube havia contratado melhor para esta temporada. O Vasco vencia (até onde eu vi) disparado. Mesmo achando que analisar contratação antes da própria ir a campo algo completamente sem sentido, tal fato vale uma análise. O pacotão cruzmaltino de 11 jogadores pode ser enganoso, Caíque e Rafael Coelho fizeram uma boa segundona por seus clubes (Guarani e Figueirense) mas são apostas, Dodô ficou parado mais de um ano e Gustavo não conseguiu se firmar no Cruzeiro por causa de lesões, por fim, pergunte a qualquer palmeirense se eles acham que Élder Granja, Jumar e Márcio Careca servem para jogar em um time grande? A resposta vai ser negativa e provavelmente seguida por alguns xingamentos. Léo Gago e Rafael Carioca, em contrapartida, são os mais interessantes investimentos vascaínos, podendo formar uma bela dupla de volantes. O Palmeiras, ao contrário do Vasco, só fez 2 contratações e vem sendo relegado pelos analistas, talvez estes não percebam que os maiores reforços do clube já estavam lá, manter Pierre, Cleiton Xavier e Diego Souza é o que me faz acreditar que o sucesso da equipe de Muricy possa vir em 2010. Todavia, é bom não cair na conversa dos dirigentes palestrinos que têm tratado as contratações feitas até agora como “cirúrgicas”; Léo é um bom zagueiro mas não vivia boa fase no Grêmio, se Muricy se decidir por um esquema com 2 zagueiros talvez termine no banco, Márcio Araújo é um jogador com características que o Palmeiras ainda não possuía em seu plantel mas isso não quer dizer que logo consiguirá um lugar cativo no meio-campo alviverde. O Palmeiras precisa de 2 atacantes urgentemente, as mãos de um bom cirurgião seriam benvindas agora. Para estar sempre atualizado com as últimas transferências é bom dar uma olhada no site Futebol 365 que, apesar de português, possui todas as transefrências ocorridas no Brasil.

Os amigos de Dunga

O Blog do Mauro Cézar Pereira traz hoje duas discussões muito relevantes: as contantes convocações do reserva da Roma, Júlio Baptista em detrimento da do titular e destaque do Milan, Ronaldinho e a convocação do reserva do Manchester City, Robinho. Tudo bem que o ex-sãopaulino já ajudou muito Dunga, principalmente na conquista da Copa América, mas Júlio Baptista vive hoje uma fase medíocre, na reserva de uma equipe que está bem longe de lutar pelo título do campeonato italiano. Ronaldinho, contrariamente, é o baluarte da campanha rossoneri para fazer com que o Calcio não fique com a rival Inter pela quinta vez seguida. Mauro demonstra o que foi dito acima com números bastante esclarecedores. Números que não são necessários para questionar a titularidade absoluta do pequeno Róbson na seleção de Dunga, é só assistir aos jogos dos Citizens para ver ele lá, sentadinho no banco do frio estádio de Manchester enquanto a torcida aplaude o esforçado Bellamy. O negócio de Dunga é mesmo a gratidão. Para o bem da Seleção na Copa tomara que a recíproca seja verdadeira.

Steven Pienaar

Olha o que ele fez.

Rodrigo Giordano

Explica-se o título: Caio e Rodrigo foram ao Canindé no dia 14 de agosto para ver Portuguesa x Vasco, o primeiro ficou na torcida lusitana, enquanto o segundo acompanhou tudo da torcida cruzmaltina. Aqui eles contam cada um sua versão para o clássico dos times portugueses do Brasil.

O LADO DA PORTUGUESA

Chego ao Canindé e não tenho dificuldades para comprar ingressos. Toda a atmosfera que cerca o Canindé me faz lembrar um estádio do interior. A torcida da Portuguesa anda desconfiada com o time, vindo de 3 derrotas seguidas, mas mesmo assim comparece em bom número à estréia de seu novo técnico, Renê Simões. Mesmo assim, em menor número em relação à torcida do Vasco, como já era de se esperar. A torcida rubroverde demonstra diferenças em relação aos grandes times de massa. Obviamente é menor e aparenta ser uma torcida envelhecida, embora ainda se veja muitos pais levando os pequenos filhos vestidos da cabeça aos pés com o uniforme da Portuguesa, de forma a incentivá-los a herdarem a sua paixão. Justamente pelo fato de ser uma torcida “mais vivida”, talvez não seja tão efusiva e vibrante, mas sem dúvida é doentiamente apaixonada, verdadeiramente fiel. Se o time hoje em dia tem poucas perspectivas de ser campeão em algum torneio relevante, a torcida parece carregar uma esperança e fazer uma cobrança digna de torcedores de um time campeão. Não ouse dizer a um torcedor da Lusa que ela é time pequeno.

Análises à parte, falemos do jogo. A Portuguesa começou o jogo bem, logo aos 4 minutos abriu o placar com Dinei após boa jogada de Fellype Gabriel (que viria a se machucar logo em seguida, sendo substituído). Após o gol a Lusa permaneceu melhor, enquanto o Vasco parecia não demonstrar reação. Aos poucos a equipe cruzmaltina foi equilibrando o jogo até passar a ter domínio. Apesar desta superioridade vascaína, foi a Portuguesa que poderia ter ampliado o placar no primeiro tempo em finalização de letra de Héverton que exigiu grande defesa do goleiro Fernando Prass.

O segundo tempo começou como o primeiro: a Portuguesa pressionando e um Vasco incapaz de reagir. Porém, aos 11 minutos, Carlos Alberto cobrou falta pela direita e colocou a bola na cabeça de Gian, que empatou a partida. Explosão da torcida Vascaína, que teve mais um motivo para comemorar segundos após o gol: Ygor, da Portuguesa, foi expulso após receber o segundo cartão amarelo. Minutos depois Ernani, do Vasco, também recebeu segundo amarelo e deixou ambas equipes em igualdade numérica.

Após as expulsões a Portuguesa voltou a oferecer perigo, desperdiçando boas oportunidades em jogadas de Edno e Preto. Mesmo não jogando um grande futebol, o Vasco dançou o vira aos  37 minutos, quando Alex Teixeira fez boa jogada pela direita, tocou para Elton, que dentro da área cruzou para Adriano empurrar para as redes.

A Portuguesa ainda tentou mostrar alguma reação, mas parou na retranca vascaína. Nos acréscimos, Enrico ainda sofreu pênalti de Preto, que acabou expulso; Elton cobrou e marcou o terceiro gol vascaíno, aos 49 minutos. Fim de jogo no Canindé. Portuguesa 1 x Vasco 3. Placar que de modo algum reflete o que foi a partida, embora não se possa dizer que foi injusto.

De um lado, a arquibancada visitante repleta, festeja mais uma vitória de seu time com a certeza de que a série A no ano de 2010 já é uma realidade. Do outro, a torcida da Lusa sai abatida e revoltada, vendo a quarta derrota seguida de sua equipe na competição. Ofensas aos jogadores são proferidas a todos pulmões, sendo o atacante Edno o principal alvo dos ataques .

Caio Hornstein

O LADO VASCAÍNO

Imagine um típico filme de romance, com mocinho, mocinha e vilão. Logo no começo algo dá errado a fim de afastar o óbvio enlace entre os protagonistas de bom coração. O mocinho, então, passará o resto da trama buscando encontrar uma solução que acarrete em um final feliz. Pois foi essa sensação que ficou para quem encarou a partida pelo lado da torcida do Vasco da Gama. Como manda o roteiro, o vilão rubroverde logo tratou de dar um golpe no time carioca, Dinei abriu o placar no Canindé. A torcida vascaína, porém, me parecia já ter assistido esse filme e entoou seus gritos para fazer com que seus heróis não desistissem: “Vamos virar Vasco!”, “O Vasco é o time da virada…”.

A alcunha que a equipe carrega nunca foi tão sugestiva para seus jogadores, era o momento de buscar o melhor caminho até o gol; e este parecia bem navegável, o lado esquerdo da equipe paulista parecia um imenso oceano esperando a chegada de alguém. O problema é que o volante Mateus nunca havia navegado por aqueles mares antes, estava improvisado na lateral-direita vascaína.

O segundo tempo veio e foram necessários 11 minutos de sofrimento para o zagueiro Gian igualar a partida; a partir daí o certame mais se pareceu com uma batalha, Ygor, volante da Lusa, foi expulso. Explosão vascaína, mas por pouco tempo, Ernani também foi mandado para fora e as equipes ficaram iguais em número de guerreiros, digo, de atletas. Um certa pressão lusitana gerou um anticlímax na torcida alvinegra, no entanto, tal sentimento se esvaiu aos 37 minutos quando um rapaz chamado Adriano tratou de mudar o rumo das caravelas cruzmaltinas. O bastião da justiça dentro de campo André Luiz de Freitas Castro ainda expulsou Tiago Gomes e Preto, acabando com as chances do vilão rubroverde. Este, já moribundo, ainda teve que ver Elton, que já tinha entendido que o caminho mais fácil pra salvar a mocinha era contornando a África, colocar ponto final na partida.

Destarte, a torcida vascaína deixou o Canindé como se fosse sua própria casa e a torcida da Portuguesa entendeu que enfrentar um adversário mocinho e descobridor não é tarefa das mais fáceis.

Rodrigo Giordano