Depois de conquistar a Euro 2008 e a Copa do Mundo de 2010, a Seleção Espanhola dava mostras de que estava bem à frente das demais equipes nacionais e que seria favorita tanto na Euro 2012 quanto na Copa do Mundo de 2014. No entanto, as atuações apagadas do time campeão do mundo contra Argentina e Portugal tiveram como consequência duas surpreendentes goleadas. Para piorar, o artilheiro David Villa sofreu uma lesão grave no final do ano passado, que praticamente tirou suas chances de disputar a Euro deste ano. Soma-se a isso a fase terrível do centroavante Fernando Torres, que, embora já não fosse titular absoluto na Copa do Mundo, era tido como um dos melhores camisas nove do mundo até se transferir para o Chelsea.

O cenário acima é um prato cheio para quem deseja apontar a Espanha como um vento passageiro, que está prestes a sucumbir diante da renovada Alemanha e da Holanda de Robben, Sneijder e Van Persie. O vento da “Fúria”, aliás, já não soprava tão forte na Copa do Mundo quanto o fez na Euro 2008, afinal as quatro vitórias na fase mata-mata foram conquistadas com o placar mínimo. Porém, ainda há bons motivos para acreditar que a Espanha segue sendo a melhor equipe nacional do mundo:

Fabregas e Silva se firmam como grandes astros

Cesc Fabregas e David Silva são jogadores de grande talento, mas ambos levaram algum tempo para amadurecer totalmente e se consagrar por grandes equipes. Fabregas já era rei no Arsenal, mas as deficiências do time ofuscavam seu ótimo futebol. David Silva claramente se mostrava “grande demais” para as pretensões do Valencia. Pois aconteceu o óbvio. Fabregas foi para o Barcelona e logo se tornou figura indispensável nos 11 titulares de Pep Guardiola, passando a atuar até como centroavante em alguns momentos do jogo, o que ajudou a aflorar seu lado artilheiro, comprovado com os 15 gols em 39 jogos. Já David Silva rumou para a Inglaterra e se juntou ao bilionário time do Manchester City.

Diante de tantas estrelas, muitos pensavam que Silva teria dificuldades para se tornar titular absoluto, mas ele não apenas se tornou fundamental, como já foi apontado várias vezes como o melhor jogador do campeonato inglês na atual temporada.

Em resumo, Fabregas e Silva estão entre os 10 melhores jogadores do mundo na temporada 2011-12, o que é uma excelente notícia para o técnico Vicente Del Bosque, que vê dois reservas da Copa do Mundo de 2010 serem escolhas quase óbvias para escalar a Espanha para a Euro 2012. Melhor do que isso, Del Bosque ganha opções táticas para fugir do batido 4-2-3-1 (ou do 4-4-2 ortodoxo que Luis Aragonés utilizou na Euro 2008).

Imitando o Barcelona

Além de representar um acréscimo técnico considerável, a presença de Fabregas no time titular da Espanha pode ser o ponto de partida para uma nova fase na “Fúria”. Guardiola fez o favor de mostrar a Del Bosque como Fabregas pode ser igualmente brilhante atuando em posições variadas, desde terceiro homem do meio-campo, até ponta ou centroavante. Essa opção surge em um momento providencial para a seleção nacional, já que Villa ainda não tem perspectiva de volta (e não se sabe se ele poderá atuar nas mesmas condições de antes) e Fernando Torres apenas agora começa a dar pequenos sinais de recuperação. Llorente seria uma opção, mas é outro caso de jogador que precisaria ir para um time de maior porte para desenvolver todo seu potencial. Há ainda Negredo e Soldado, mas ambos não têm o nível de excelência a que o torcedor espanhol se acostumou nos últimos quatro anos.

Com isso, Del Bosque tem a chance de “imitar” o Barcelona, que atualmente deixa qualquer seleção nacional no chinelo. Jogar sem centroavante fixo se torna uma opção excelente para a Espanha, que pode desenvolver um futebol muito envolvente tendo um meio-campo formado por Busquets, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta, Fabregas e Silva. É basicamente um Barcelona sem Messi e Daniel Alves. É evidente que não tem cabimento comparar Messi e David Silva, mas o meia espanhol é um excepcional jogador e, se algum time hoje pode ter a “honra” de imitar o Barcelona, este time é a Espanha (mesmo porque conta com seis jogadores do time catalão, sendo quatro deles meio-campistas).

Claro que copiar o sistema tático do Barcelona não é tão simples e passa inclusive por um capricho maior de Casillas com a bola nos pés (nisso Valdés sem dúvida é superior ao goleiro do Real Madrid, só nisso). A saída pela direita com Sergio Ramos não conta com o talento de Daniel Alves, mas há a alternativa de sair pelo outro lado com o jovem Jordi Alba, revelação do Valencia que rapidamente se tornou titular da posição mais carente do time espanhol, ocupada anteriormente por Capdevilla e Arbeloa, dois laterais esforçados, mas limitados.

Se a bola chegar redonda ao meio-campo, não tem erro. Os quatro jogadores do Barcelona farão o mesmo trabalho de posse de bola que fazem pela equipe catalã e ainda terão a ajuda de Xabi Alonso e David Silva. Sem dúvida pode faltar a esse time um goleador, pois Fabregas não pode ser o único responsável por balançar as redes. David Silva e Iniesta tem boa finalização, mas não são artilheiros. O mais próximo que esse time chegaria do Barcelona seria um 4-3-3, com Iniesta aberto de um lado e Silva aberto de outro, com Fabregas colocado como falso centroavante (função de Messi no Barcelona).

Se esse “Barcelona sem Messi” não der certo, a solução pode estar na volta de David Villa ou de Fernando Torres, mas aí a grande dúvida é quem seria sacado desse time estelar. Xavi, Iniesta e Fabregas me parecem intocáveis, principalmente pelo que vêm fazendo no Barcelona. Pode sobrar para David Silva, mas Del Bosque poderia ousar e sacrificar um dos volantes. Nesse caso Xabi Alonso teria mais chance de perder sua posição, pois Busquets faz melhor a função de primeiro volante.

Kim Paiva

Acabou. Espanha campeã. Fim do post.

Not.

Há o que se pensar sobre esta final de Copa do mundo entre Holanda e Espanha. Foi dito anteriormente neste blog que a seleção espanhola não era lá grande coisa e que não devíamos nos deixar levar pela empolgação da mídia esportiva. É aí que você se pergunta: “Mas então, espertões, por que que a Espanha foi campeã?”

Pois bem.

A Holanda – que não tem um time ruim, mas joga como se tivesse – deixou claro como jogaria a final. Com marcação forte e tentando aproveitar os erros dos espanhóis. Não deu certo, ou melhor, a marcação forte deu muito certo, mas os laranjas não souberam aproveitar os erros adversários. Robben perdeu duas chances claras de gol, não fizeram, agora teriam que se segurar. Mas segurar o empate é difícil quando se enfrenta um time com Xavi, Iniesta e Fabregas. Ainda mais quando o recurso adotado, de parar o jogo com faltas, o deixa com um jogador a menos e três meias de criação sendo obrigados a marcar. Uma bola entrou no gol de Stekelenburg, o gol do título, no segundo tempo da prorrogação. Os laranjas mais uma vez voltam para casa com o vice e com a dúvida. O Futebol Total de Rinus Michels não funcionou, o “anti-Futebol Total” – expressão de PVC, comentarista da ESPN Brasil – de Van Marwick também não. E agora, o que é o certo? Eu tenho um sonho: ver uma Holanda em 2014 jogando bonito e atingindo resultados.

Essa poderia ter sido a bola do jogo

É a Copa com a segunda pior média de gols de todas, superando apenas o mundial de 1990, o qual eu não vi, mas nunca ouvi falar bem. Assemelha-se ao mundial de 1994, o qual me lebro de pouco, mas quem se lembra de muito, não tem boas recordações.Exceto pelo primeiro tempo do jogo contra a Alemanha e pelo segundo tempo dessa final, a Fúria confirmou um mundial medíocre. Perdeu na estréia e ganhou os 6 jogos seguintes, 5 deles por um gol de diferença. É a campeã com a pior média de gols da história das Copas. Mas é a campeã. Não gostou, azar o seu. Os espanhóis comemoram enquanto o resto do mundo aplaude e chupa o dedo.

Mas foi essa

 

Seleção do dia: Casillas; Van der Wiel, Puyol, Pique, Sergio Ramos; Xavi, Iniesta, Fabregas, Sneijder; Villa, Pedro.

 

Pitacos:

Esqueçam a vuvuzela, a jabulani, o Dunga, o Felipe Melo e o Galvão Bueno. Guardem a bandeira do Brasil, revejam a tabela do brasileirão, tirem as camisas dos clubes do armário, montem seus times no cartola.

Ricardo teixeira? Morumbi? Técnico da seleção? Que nada! Quarta feira tem Corinthians na TV.

Sem mais.

Felipe Blumen

“A Alemanha nunca vem com um time muito forte mas sempre acaba chegando”. A declaração, que você já deve ter ouvido umas 28395 vezes, é típica de mitos que circundam a Copa. Mas o problema da sentença não é fazer parte do senso comum, e sim dos jornalistas despreparados que se surpreendem com a técnica dos jogadores alemães; isso numa época em que é possível assistir a todo o campeonato alemão sem sair de casa é algo inconcebível. Quem acompanha a Bundesliga conhece a habilidade de Ozil e não se surpreende nem um pouco com a destreza que Khedira e Schweinsteiger mostram para sair jogando.

Pois bem, Cape Town presenciou um passeio dos alemães em cima dos argentinos; mas será que uma goleada germânica era tão inesperada assim? Acho que não, afinal, a defesa do time de Maradona é muito fraca (Otamendi é bom zagueiro e péssimo lateral, Heinze é péssimo zagueiro e lateral) e o único que marcava no meio-campo era Mascherano. Destarte, dada a eficiência que o time de Joachim Low demonstrou contra os ingleses não foi surpresa alguma o aproveitamento que tiveram contra os sul-americanos. Quem realmente decepcionou foi o ataque argentino: Di Maria foi nulo e o trio de ataque não repetiu as últimas boas atuações.

Os espanhóis tiveram problemas para vencer os paraguaios mas novemente usufruíram do oportunismo de David Villa para decidir a partida. Vão precisar de muito mais para complicar os alemães; o time armado por Vicente Del Bosque tem claras fragilidades como Xavi jogando como meia a frente de Busquets e Xabi Alonso, além da péssima jornada de Fernando Torres que demonstra estar evidentemente fora de sua melhor forma física. Fábregas e Pedro seriam boas opções.

Seleção do dia: Villar; Boateng, Friedrich, Piqué e Lahm; Khedira, Schweinsteiger, Iniesta e Müller; Klose e Villa.

Pitacos: Ricardo Teixeira (!) em entrevista a Galvão Bueno (!!) jogou toda a culpa pela eliminação da Seleção em Dunga. Quem foi mesmo que contratou Dunga?

Palmeiras 3 x 1 XV de Piracicaba. O Palmeiras tem um pênalti a seu favor no amistoso contra o time do interior e Kléber, o maior reforço da equipe para o resto da temporada, bate e… perde. Belluzo deveria começar a pensar em fazer um acordo com a CBF e a comissão de arbritagem, no qual os pênaltis dados para o time de Palestra Itália possam ser torcados por 2 escanteios ou escolher um adversário pra ficar 3 minutos fora, sei lá. Que fase!

Rodrigo Giordano

A Holanda novamente mostrou um futebol pragmático em duelo contra a Eslováquia em nenhum momento viu sua vaga às quartas de final ser ameaçada. Os talentos de Sneijder e Robben resolveram para a Oranje, que deverá usar e abusar da deficiência defensiva de Michel Bastos mas que também sofrerá com os avanços de Maicon e Daniel Alves sobre Van Bronckhorst.

O Chile jogou como sempre e perdeu como sempre. O jogo seguia equilibrado até o gol de Juan, após o qual os chilenos saíram desesperados para o ataque oferecendo ao Brasil aquilo que ele mais gosta: espaço para contra-atacar. O maior problema do time de Bielsa não é que ataca com gente de mais mas sim que erra muito o último passe e acaba finalizando mal. Esse é o fator principal que “El Loco” tem que corrigir na seleção chilena se não quiser continuar a tomar goleadas do Brasil. As seleções brasileira e alemã mostraram até agora que não toleram os erros de seus adversários; Holanda e Argentina possuem defesas fracas, o que me faz acreditar que teremos um repeteco da final de 2002.

craque de propaganda?

Após o jogo Portugal x Brasil, elogiei a forma como Carlos Queiroz armou sua equipe, se preocupando em não sofrer gols no início do jogo e marcando o Brasil em cima. Contra a Espanha, o técnico português fez o contrário, “deu” a jabulani aos espanhóis esperando roubá-la para entrega-la de qualquer maneira a Cristiano Ronaldo. A Fúria fez sua melhor partida até agora respondendo aos críticos que diziam que o time tocava de mais a bola; ontem, tocaram muito e finalizaram tanto quanto, só parando na excelente atuação do guarda-redes Eduardo. Mesmo perdendo Queiroz não abriu mão de seu esquema com 3 volantes, deixando o passe da equipe com uma qualidade inferior (tinha Deco no banco) e toda a responsabilidade nas costas de Ronaldo, que, aliás, ficou muito abaixo do que o comercial da Nike mostrou.

Japão x Paraguai mostrou o momento mais triste da Copa até agora, não em razão do fraco desempenho de ambas seleções mas sim pela despedida de Marcos Túlio Tanaka do mundial. No primeiro tempo, os paraguaios mantiveram a posse de bola mas não sabiam o que fazer com ela, Roque Santa Cruz jogava aberto pela direita e vinha buscar a bola no meio de campo, erro crasso que Gerardo Martino só foi corrigir no meio da segunda etapa. Os japoneses apostavam na velocidade de Endo, Matsui e Okubo mas o trio gerou poucas jogadas de perigo. A entrada de Okazaki na segunda etapa melhorou bastante o time nipônico que teve mais chances de abrir o placar que os sul-americanos. Veio a prorrogação e só os Albirojos buscaram o gol, a disputa de pênaltis fez justiça a tal ousadia.

O futebol bailarino do mito

Além de Tanaka (nem preciso dizer que Barrios foi nulo na partida), o atacante Honda também fará muita falta, era impressionante como sempre que ele tocava na bola o Japão produzia uma jogada de perigo. Honda, o Midas do futebol.

Seleção dos dias: Eduardo; Sérgio Ramos, Lúcio, Juan e Nagatomo; Vera, Ramires, Xavi e Sneijder; Robben e Villa.

Pitacos: Sou a favor do uso de tecnologia no futebol para ajudar os árbitros na resolução de lances polêmicos, porém, as jogadas que retomaram o assunto nesses dias (o gol da Argentina e o “não-gol” da Inglaterra) não fazem jus à discussão sobre tecnologia, já que foram erros perceptíveis a olho nu. Bastava que a FIFA colocasse um árbitro atrás de cada gol, assim como fez a UEFA na Liga Europa, e estes obviamente veriam que Tevez estava impedido e que a bola de Lampard entrou.

Olha o pessoal sendo injusto de novo com o bom sujeito Bruno, goleiro do Flamengo; afinal, quem é que nunca matou a ex-mulher e depois escondeu o corpo?

Rodrigo Giordano

Carlos Queiroz foi, até agora, o técnico que melhor entendeu o jogo do Brasil. Ao contrário do que ouço de muitos jornalistas, o Brasil não é um time de contra-ataque; a confusão é causada porque a equipe brasileira é muito efetiva quando contra-ataca, fazendo muitos gols dessa forma, o que está longe de querer dizer que baseia seu jogo em tal tática. O Brasil é um time de posse de bola, sempre fica com ela muito mais tempo que seu advsersário. Queiroz percebeu isso. Entendeu a importância de não tomar um gol antes dos 15 minutos, se isso acontecesse teria que dar o contra-ataque que o Brasil tanto queria. Aos poucos os patrícios foram se impondo e comandaram o segundo tempo, faltou pontaria para chegar ao gol, porém. Dunga demorou muito pra mexer e demonstrou não saber o que fazer para resolver o problema da lateral-esquerda, onde Michel Bastos ficou isolado sem ter com quem jogar; com Daniel Alves em campo o time fica ainda mais “desequilibrado”. Ao Brasil resta se preparar para pegar os fregueses chilenos, que tem um ótimo ataque e uma fraca defesa; penso que a única maneira do Chile sair vencendor deste jogo é marcando forte a saída de bola dos brasileiros e colocar alguém para acompanhar Maicon. Aos portugueses restou o duelo ibérico; o time da Espanha, assim como o do Brasil, é um time de posse de bola. Queiroz sabe o que fazer.

A Costa do Marfim meteu 3 nos norte-coreanos, resultado que já era esperado. Pelo menos para mim que coloquei isso no bolão.

Os chilenos foram pra cima dos espanhois e se arrisacaram a perder a vaga. A Suiça, no entanto, perdeu a chance de calar seus críticos e não conseguiu fazer um mísero gol em Honduras. O time suiço ia ser um perigo no mata-mata, tentando levar todos os jogos para ser decididos nas penalidades.

Seleção do dia: Eduardo; Maicon, Lúcio, Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão; Inler, Xavi, Iniesta, Barnetta e Millar; Villa.

Pitacos: Numa dividida entre Pepe e Felipe Melo espero que os dois quebrem a perna.

Vai começar a chatice de falarem que vão torcer por Gana em razão de  ser o único time africano que restou na Copa. É um time muito fraco, fez 2 gols até agora no torneio. Ambos de pênalti! Estou com os yankees nessa.

Marcelo Bielsa é o grande ídolo deste blogueiro nesta copa, jogava pelo empate mas preferiu ir pra cima dos espanhois. Tomara que chegue um momento em que os que fazem o contrário sejam considerados loucos.

Rodrigo Giordano

Portugal x Coreia do Norte

Os tugas não fizeram mais que a obrigação e ainda foram além, uma goleada que não parecia se desenhar no primeiro tempo, até o primeiro gol português o jogo era equilibrado com os coreanos numa postura diferente da que enfrentaram o Brasil. Acharam que podiam ganhar de Portugal. Num deu, Raul Meirelles foi muito bem substituindo Deco, machucado, e Cristiano Ronaldo criou boas chances. Acho que este jogo não vai passar na Coreia do Norte.

A Suiça é com certeza o time mais chato desta Copa. De se ver e de ganhar. Mesmo com 10 jogadores desde os 30 da primeira etapa, os suiços tornavam a tarefa de fazer um mísero gol um martítio para os chilenos. No intervalo, Bielsa percebeu que só mesmo com magia pra furar tal retranca e colocou Valdívia no jogo, Mark Gonzalez também entrou. E foi numa bela enfiada de bola do ex-palmeirense que Paredes conseguiu vencer o ótimo Benaglio e cruzar para Mark Gonzalez fazer o gol da vitória. Chile e Suiça terão na última rodada seus jogos mais difícieis: os sulamericanos finalmente terão sua retaguarda colocada à prova, já que como a maior parte do jogo de hoje foi com um jogador a mais, o Chile teve o domínio da possae de bola, não será assim contra uma Espanha desesperada pelo resultado; já os helvéticos não poderão ficar esperando Honduras atacar para decidir no contra-ataque, última rodada muito interessante no grupo H.

o gol que quebrou a muralha

Espanha x Honduras

A Fúria não fez mais que obrigação e ainda ficou aquém. Não passa nem perto de encantar, a não ser em algumas jogadas individuais, como no primeiro gol de Villa. O jogo serviu mesmo pra Del Bosque perceber que é inconcebível deixar Fábregas no banco.

Seleção do dia: Benaglio; Sérgio Ramos, Ricardo Carvalho, Piqué e Capdevilla; Tiago, Fábregas, Mark González e Raul Meirelles; Cristiano Ronaldo e Villa.

Pitacos: Aqui não tem corporativismo não! Discordo plenamente do Felipe quando ele diz que a Itália vai mal na primeira fase mas tem que ter cuidado porque depois ela massacra na fase posterior. Pra mim esse é um dos maiores clichês de Copa. O grande Ubirtan Leal provou isso em seu site.

A patriotada galvanesca das narrações da Globo nos jogos do Brasil é nojenta (pra usar uma expressão simpática). O maior problema não é o ufanismo exacerbado do narrador mas sim que ele se considera jornalista! Antes fosse qualquer torcedor idiota narrando o jogo, mas colocar um cidadão que transgride inúmeros conceitos básicos de sua profissão é um desrespeito ao telespectador. O problema é maior ainda pra quem só tem TV aberta, se você muda de canal tem que ouvir o Luciano do Vale. Difícil.

A Globo evitava entrar em conflito com Dunga. Ontem, ele xingou um respórter da emissora pois, aparentemente, foi contrariado. E agora? Com se portará a emissora carioca que tantos interesses em comum tem com a CBF que outorga os poderes do déspota que comanda a seleção?

Rídiculo o que a França foi fazer na África, se era pra fazer isso, deviam ter dado sua vaga à Irlanda. Jogar fora o torneio mais importante do mundo no esporte simplesmente por vaidade de alguns é uma mostra da baixeza humana.

Rodrigo Giordano

Dia 6: Aqueceu?

16/06/2010

O Louco

Quem achava que não valia a pena acordar cedo para ver a primeira partida do dia de hoje é porque não viu o Chile jogar as Eliminatórias sulamericanas, na qual Marcelo Bielsa formou um time ultraofensivo que terminou em segundo lugar na disputa para ir à Copa. Pois a seleção chilena atacou Honduras desde o primeiro minuto de jogo com belos passes de Matias Fernandez, além dos dribles e jogadas rápidas de Alexis Sanchez e Beausejour, isso para sem falar em Valdívia, que substituiu muito bem o artilheiro Suazo, mesmo não tendo as características para jogar na função em que foi escalado. Honduras é um time frágil, isso ficava mais claro quando o Chile atacava com vários jogadores e permitia contra-ataques para a equipe branca e azul, estes eram sempre desperdiçados. “El Loco” Bielsa terá que corrigir algumas coisas para os próximos compromissos chilenos: a equipe errou muitos “últimos passes”, e como ataca sempre com muitos jogadores, deixava sua defesa assaz exposta, além disso, os chilenos poderiam ter constituído um maior saldo de gols se caprichassem mais nas finalizações. Foi ótimo ver o Chile jogar hoje, Bielsa parece que manda o tal do “futebol moderno” às favas e manda seu time pra cima sem pensar nas consequências. Numa Copa com jogos chatíssimos, era exatamente isso que precisávamos.

A Espanha enfrentou um adversário tão recuado quanto o Brasil, porém, de muito maisqualidade; ao contrário do time de Dunga, os espanhóis tomaram conta do campo adversário e tocaram a bola incessantemente, mas faltava precisão na hora de fazer o gol. O primeiro tempo foi o jogo de um time só. Na segunda etapa, a peleja ficou mais aberta e os suiços se lembraram que seus atcantes não estavam só fazendo figuração no gramado e passaram a utilizar mais o forte N’kufo e o rápido Derdiyok. Chutão do goleiro, alguém toca na bola, troca de passes, um típico enrosca-enrosca e pronto. Gélson Fernandes abriu o caminho para o jogo mais emocionantes da Copa até agora; não havia outra opção à Fúria do que não ir (mais) pra cima: entraram Fernando Torres, Jesus Navas e Pedro. Xabi Alonso colocou bola na trave, Navas perdeu gol na cara, Piqué parou em Benaglio, no entanto, a melhor chance de gol foi dos helvécios quando Derdiyok driblou três jogadores e quase fez o tento mais bonito da Copa.

O ferrolho suiço não tomou gol em 4 jogos da Copa de 2006 e caminha para o mesmo caminho, agora tendo jogadores mais talentosos no meio e no ataque. À Espanha resta focar em vencer Honduras e Chile, o que é absolutamente possível e provável. Vão começar a chamar o time de amarelão mas este vai ser o típico comentário de quem não viu o jogo; a Espanha perdeu mais bonito do que o Brasil venceu. Ao contrário do primeiro jogo citado, aqui o “futebol moderno” ganhou.

Os sul-africanos pareciam surpresos com a propriedade com que os uruguaios tomavam conta do jogo, só deu celeste nos primeiros 10 minutos. Trocando passes e usando as laterais, os anfitriões tentaram equilibrar o jogo mas Forlán com um chutaço de fora da área não permitiu que isso fosse possível. Veio a segunda etapa e os africanos não conseguiam impor seu jogo, o

desespero foi tomando conta da inexperiente equipe que assistiu Khune fazer pênalti em Suarez e ser expulso. Forlán, de novo. Uruguai 2 a0. Ainda deu tempo de Alvaro Pereira deixar o dele, e a situação dos donos da casa ficou ainda mais difícil.

Quem assistiu ao primeiro jogo dos sulamericanos, contra a França, no primeiro dia do torneio, ficou impressionado com a mudança da equipe. Óscar Tabarez pode ser considerado o grande responsável por isso. No meu post do primeiro dia da Copa, disse que a equipe sofria demais com a falta de um armador e que o esquema com 3 zagueiros era prejudicial aos atacantes e alas. Tabarez percebeu isso e mudou o esquema, agora só Godín e

O Cara

Lugano faziam a zaga, a sua frente, um losango com Arevalo de primeiro volante, Perez pela direita e Alvaro Pereira pela esquerda, Forlán era o “enganche”. E essa foi a grande mudança, o camisa 10 e mais talentoso jogador da celeste foi recuado e Cavani entrou em sua posição. Assim, o Uruguai fez uma grande partida, jogando de forma muito consistente e ficando muito perto da classificação para a segunda fase, algo que não acontece desde 1990, quando o técnico era… Óscar Tabarez.

Seleção do dia: Benaglio; Isla, Grichting, Godín e Fucile; Arévalo Rios, Gélson Fernandes, Matías Fernandez e Forlán; Suarez e Sánchez.

Pitacos: Não entendi porque Vicente Del Bosque escalou dois volantes de contenção (Busquets e Xabi Alonso) diante da Suiça que obviamente iria jogar retrancada; o treinador tinha inúmera opções mais interessantes como Fábregas, recuar Iniesta e colocar Pedro ou Navas desde o começo. Pela primeira vez em seis dias tive a sensação de estar realmente assistindo ao torneio mais importante do mundo, todos os jogos de hoje foram interessantes com suas diferentes nuances. Que continue assim.

Rodrigo Giordano